WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Brasileiros querem pôr migração venezuelana em destaque no Sínodo para a Amazônia

Sínodo ocorrerá em outubro no Vaticano. No documento preparatório, tema ocupa 2 de 59 páginas e o país vizinho só é citado em um trecho

Edison Veiga , ESPECIAL PARA O ESTADO

27 de julho de 2019 | 03h00

Grupos religiosos brasileiros estão se mobilizando para que a questão da crise migratória venezuelana seja um dos tópicos de maior visibilidade do Sínodo para a Amazônia, que ocorrerá no Vaticano em outubro. No documento preparatório divulgado, o tema ocupa 2 de 59 páginas e o país vizinho só é citado em um trecho.

No início deste mês, um grupo de 160 franciscanos se reuniu por três dias em Manaus (AM) para debater questões inerentes ao sínodo. Em seguida, muitos ampliaram a viagem para conhecer in loco a realidade dos imigrantes venezuelanos. “Conforme o posicionamento do papa Francisco, os refugiados nos mostram a decadência da economia e do sistema político que, no lugar de incluir, exclui”, afirmou ao Estado o frei Éderson Queiroz, presidente da Conferência da Família Franciscana do Brasil. “Vivemos um processo decorrente de uma economia excludente e não inclusiva. Isso vai gerando pobreza, miséria, refugiados, pessoas que têm de buscar em outros lugares condições para viver.”

Já o frei Marcelo Toyansk Guimarães, da Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Frades Capuchinhos do Brasil, visitou abrigos para refugiados em Boa Vista (RR) e esteve na cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. “É uma situação gritante o drama da migração venezuelana, com cerca de 500 pessoas diariamente cruzando a fronteira em direção a Roraima. O mesmo modelo que vem para destruir, matar, explorar e sugar a floresta é o que causa a migração forçada.”

Roraima

Em Boa Vista, funcionam hoje dez abrigos para refugiados, com uma média de mil pessoas em cada. Estima-se que outros 20 mil imigrantes estejam já instalados em quartos alugados na cidade - “quartos pequenos e superlotados”, ressalta o frade. 

Há 18 grupos apenas da Igreja Católica atuando na região. Um fórum com representantes, que se reúne uma vez por mês, cobra uma discussão da cúpula da Igreja. “Levar o tema ao sínodo é importante porque processos migratórios são um desafio contemporâneo para toda a humanidade, com fluxos intensos em todos os continentes”, pontuou ao Estado frei Atílio Battistuz, missionário franciscano há anos na região amazônica e membro da Rede Eclesial Pan-Amazônica. 

Encontro preocupa governo federal

As pressões para influir no Sínodo vem crescendo. Como o Estado mostrou, o governo brasileiro teme críticas envolvendo a gestão das florestas por Jair Bolsonaro, vindas sobretudo de grupos de esquerda. Por outro lado, na semana passada, um grupo do Instituto Plínio Correia de Oliveira iniciou caravana pela Amazônia Legal, buscando apoio para um abaixo-assinado sugerindo que o evento trate do “possível risco à soberania da Amazônia”. A alegação é de que entre os integrantes do Sínodo há defensores da “internacionalização da área”.

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.