Brasileiros residentes em Buenos Aires votam em embaixadas

Os eleitores brasileiros residentes na capital argentina votaram neste domingo na Embaixada do Brasil, no bairro de Retiro. Poucos minutos antes das 8h (horário local), uma fila de 20 pessoas esperava a abertura das portas para ir até as urnas e votar em um dos candidatos presidenciais. No total, estavam cadastrados 1.395 eleitores em Buenos Aires, que votaram em quatro urnas eletrônicas. Outros 114 eleitores estavam registrados na cidade de Córdoba, onde havia uma única urna. A votação transcorreu sem incidentes.A mídia argentina deu amplo espaço à cobertura das eleições brasileiras. O jornal Clarín, o principal do país, colocou o título "O Brasil vota, depois de uma campanha cheia de acusações". O tradicional La Nación deu a manchete "Hoje define-se se Lula vai ao segundo turno". O jornal Perfil afirmou: "Lula será reeleito hoje; a única dúvida é se haverá segundo turno".O presidente Néstor Kirchner, dias atrás, em Nova York, declarou apoio total ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Kirchner e o presidente venezuelano Hugo Chávez são os dois únicos líderes sul-americanos que realizaram declarações enfáticas a favor da reeleição de Lula.Analistas sustentam que uma eventual reeleição será favorável para a Argentina, já que dentro do governo Kirchner Geraldo Alckmin (PSDB) é considerado um homem de posições "duras" em relação ao Mercosul, ao contrário de Lula.Ceferino Reato, autor da biografia não autorizada "Lula, a esquerda ao divã", sustenta que a relação Lula-Kirchner oscila entre "o amor e o receio". Reato indica que um eventual segundo mandato de Lula poderá reforçar suas pretensões de liderança regional, atitude que melindraria o irascível Kirchner.Nas eleições de 2002, Lula foi o vencedor nas urnas brasileiras em Buenos Aires, recebendo 289 de um total de 519 votos. Seu rival, José Serra, do PSDB, ficou com 164 votos na ocasião. Em 2002, a abstenção dos eleitores brasileiros registrados em território portenho foi de 30%.O número de brasileiros na Argentina, segundo várias estimativas, é de apenas 32 mil pessoas (número pequeno, se comparado com as dimensões das comunidades brasileiras no Estado Unidos, Canadá, Europa e Japão). Do total, 25 mil estariam ilegais. A maior parte da comunidade brasileira concentra-se no território argentino próximo à fronteira com o Brasil.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.