Paulo Liebert/Estadão
Paulo Liebert/Estadão

'Brasília não pode faltar ao Brasil', diz diretor do Depen sobre transferência de Marcola

Em entrevista ao 'Estado', Fabiano Bordignon respondeu a críticas do governador do DF, que acionou a Justiça com um pedido para que presídio seja fechado

Breno Pires, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2019 | 19h30

BRASÍLIA – Diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o delegado Fabiano Bordignon defendeu, em entrevista ao Estado, a transferência do chefe máximo do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e três líderes do grupo para a penitenciária federal de Brasília. "Brasília não pode faltar ao Brasil. Nunca faltou e não pode faltar", afirmou Bordignon. 

O comentário é uma resposta às críticas que a medida recebeu do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Rocha acionou a Justiça nesta segunda-feira com um pedido para que o presídio de segurança máxima do DF seja fechado.

"A gente não recebeu esse pedido ainda, estou em viagem. Mas o que a gente vê é que, primeiro, a existência ou não do presídio no DF nunca se refletiu no aumento ou na diminuição da segurança no DF", argumentou o diretor-geral do Depen. 

Ele disse que não há razão para temer a transferência de líderes de facções criminosas para Brasília e frisou que o Distrito Federal tem mais policiais do que qualquer Estado no país. "Acho que não é bom manifestação nesse sentido até porque a polícia do DF é uma das melhores no Brasil, inclusive é mantida pelo governo federal. A cúpula de inteligência funciona bem", disse. Ele comentou que o salário de policiais é pago com recursos da União.

"Não entendo temor e acho que é exagero isso. Para vencer o crime organizado, a gente não pode demonstrar temor, mas articulação, decisão e união", disse.

Defendendo o diálogo, Bordignon disse que a transferência não é para sempre e lembrou que Marcola passou menos de 2 meses no presídio federal de Porto Velho.

"O preso não vai ficar a vida toda lá. O Depen faz rodízios constantes dos presos. É importante que a gente fiquem em Brasília o tempo que for necessário. Passados esses tempos eles irão rodar por outros presídios", disse, sem adiantar quanto tempo Marcola poderá ficar no DF.

O chefe do Depen, no entanto, defendeu o ministro Sérgio Moro após a crítica feita por Ibaneis no fim de semana, quando o governador disse que Moro "não conhece nada de segurança". "O ministro Sérgio Moro demonstrou ter conhecimento sobre segurança pública, está revolucionando o sistema prisional no país e está colaborando com os estados", disse Bordignon.

O delegado da Polícia Federal, que já foi o diretor da penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná, disse que a presença de presídios do tipo "repercutem positivamente, melhoram isolamento dos presos". Além disso, frisou que é parte da estratégia para combate ao crime organizado o isolamento de lideranças. "O crime organizado só vai ser fortalecido com o Estado cada vez mais organizado e articulado", disse.

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