''Briga ácida'' por Furnas é lamentável, diz Temer

Vice-presidente critica, em entrevista à TV Estadão, troca de insultos entre políticos, sobretudo do PMDB e PT; para Dilma, denúncias já são apuradas

Malu Delgado e Felipe Machado / TV Estadão, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2011 | 00h00

O vice-presidente da República, Michel Temer, repreendeu ontem "a briga lamentavelmente ácida" entre peemedebistas e petistas pelo comando de Furnas. Em entrevista à TV Estadão, em seu escritório de São Paulo, Temer afirmou que caberá ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), levar à presidente Dilma Rousseff três ou quatro nomes do partido com perfil técnico para que ela faça a escolha do novo presidente da estatal. A entrevista poderá ser acessada no portal do Estado hoje, a partir das 15h.

"No tocante a Furnas eu devo dizer que é muito inconveniente essa disputa entre membros do PT e do PMDB. É uma briga lamentavelmente ácida. Você pode brigar por espaço, mas de uma forma adequada. Tenho criticado essa disputa", disse.

Origem. O atual presidente de Furnas, Carlos Nadalutti, foi indicado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que quer manter o controle da estatal. Petistas começaram a atuar nos bastidores para minar o domínio de Cunha. A origem da disputa entre integrantes dos dois partidos foi um dossiê preparado por funcionários de carreira de Furnas e levado ao ministro de Relações Institucionais, o petista Luiz Sérgio, na semana passada, pelo secretário de Habitação do Rio, Jorge Bittar (PT).

No documento, funcionários denunciam o aparelhamento da estatal e desvios administrativos, segundo eles patrocinados por Cunha. O peemedebista reagiu e atacou, no Twitter, a "incompetência" dos diretores de Furnas ligados ao PT.

O dossiê dos trabalhadores fala em sobrepreços e atrasos nas obras das usinas de Simplício e Batalha e aponta suspeitas em operações financeiras da estatal.

Responsável por apaziguar o PMDB por conta das disputas no segundo escalão, Temer enfatizou o acerto com Dilma para que o dirigente de Furnas seja técnico. Os senadores Hélio Costa (PMDB-MG) e Osmar Dias (PDT-PR) foram descartados.

"O nome pode ser do PMDB, mas um nome técnico, que tenha condições de gerir a empresa", insistiu. Temer não fez comentários sobre a denúncia de ingerência de Cunha em Furnas.

Ontem, em Porto Alegre, Dilma afirmou que todas as acusações serão investigadas. "Acredito que (o caso Furnas) já está com os órgãos competentes porque isso não é atual, acho que a Controladoria Geral da União já tinha inclusive iniciado levantamento nesse sentido", afirmou.

Ao longo da semana, a briga esquentou quando o ex-governador Anthony Garotinho passou a questionar o patrimônio de Cunha no Twitter. "Podemos fazer uma CPI do setor elétrico. Garanto que saio ileso, mas não sei se todos saem", bradou Cunha. Em nota, o presidente de Furnas diz que as contratações e alterações de contratos são feitas dentro da lei e que a estatal "é permanentemente auditada e fiscalizada". / COLABORARAM ELDER OGLIARI, LUCIANA NUNES LEAL E CHRISTIANE SAMARCO

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