Briga de paróquia e comando duplo viram dor de cabeça

Depois de uma temporada de tropeços, o comando da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência tenta acertar o passo, com a criação de fatos políticos, mas ainda não conseguiu se unificar em torno de uma estratégia.

Cenário: Vera Rosa de Brasília, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2010 | 00h00

O principal problema reside na coordenação política da "maratona" de Dilma, hoje dividida entre o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado Antonio Palocci (SP), ex-ministro da Fazenda.

A polêmica prévia em Minas, disputada ontem entre Pimentel e o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, é apenas mais um ingrediente para engrossar o caldo petista.

Pimentel e Patrus medem forças cientes de que, ao fim e ao cabo, terão de ceder a vaga de candidato ao Palácio da Liberdade para o PMDB do senador Hélio Costa. Mas a briga é para saber quem tem mais domínio sobre o partido, uma espécie de terceiro turno da eleição interna que, no ano passado, deu a vitória ao grupo de Pimentel no comando do PT mineiro.

Na prática, desde que Pimentel se aliou ao então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), para promover a candidatura de Márcio Lacerda (PSB) à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no partido, não o perdoa. O ex-prefeito integra a CNB, mas abriu uma dissidência.

Na quinta-feira, um grupo de deputados federais e dirigentes do PT alinhados a essa corrente reuniu-se com Dutra, na tentativa de fortalecê-lo no comando da campanha de Dilma. Na lista das preocupações, petistas apontaram o rumo errático da candidata e as "investidas" de Pimentel para ganhar os holofotes. As reclamações também giraram em torno do discurso de Dilma que, além de técnico, ainda parece reativo à agenda do adversário José Serra (PSDB).

Lula já pediu à ex-ministra da Casa Civil, em várias ocasiões, que traduza números e até mesmo projetos do governo, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para o dia a dia da população. É por isso que ela tem repetido à exaustão que "por trás de cada obra há um homem, uma mulher, uma criança", frase usada por Lula desde os tempos em que ele perdia eleições.

Dilma conversa com o presidente toda semana. Na terça-feira à noite, logo depois que ela voltou da viagem a Brumadinho (MG), onde gravou cenas para o programa de TV do PT - a ser exibido em rede nacional no próximo dia 13 -, os dois se reuniram, no Palácio da Alvorada.

O diagnóstico foi simples: a candidata precisa investir mais no Sudeste, região onde Serra apresenta melhor desempenho, e cumprir "agendas mais produtivas". A estratégia de carimbar Serra como "anti-Lula" continua, mas a ordem é não ficar "repercutindo" ideias do tucano, como a criação do Ministério da Segurança Pública.

O Planalto aposta agora em um grande ato com o PMDB, no dia 15, para mostrar a "força da aliança" e dissipar dúvidas sobre o apoio da legenda à petista. O plano é apresentar o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), como vice de Dilma nesse megaencontro. É por isso que o governo fará tudo para limpar o terreno em Minas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.