Bruno Ribeiro/Estadão
Bruno Ribeiro/Estadão

Rebelião no Ceará mata 10 detentos 48 horas após chacina em forró

Polícia investiga a relação entre os casos; Estado realizou transferências na unidade

Bruno Ribeiro, enviado especial de O Estado de S. Paulo a Fortaleza, e Carmen Pompeu, especial para o Estado

29 Janeiro 2018 | 14h06
Atualizado 29 Janeiro 2018 | 22h20

FORTALEZA - Um ataque promovido por detentos da Cadeia Pública de Itapajé, pequena cidade a duas horas e meia de Fortaleza, no Ceará, terminou com dez mortos a tiros e facadas na manhã desta segunda-feira, 29. Segundo familiares dos presos e agentes penitenciários, os mortos seriam da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e teriam sido assassinados ainda em decorrência da chacina que matou 14 pessoas em Fortaleza na madrugada da sábado.

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A Polícia Civil ainda investiga como as armas entraram no presídio, que teria 85 detentos. Dois revólveres calibre 38 foram apreendidos e seis internos, com idades entre 19 e 26 anos, suspeitos de terem cometido os crimes, foram interrogados ainda nesta segunda. O governo do Estado decidiu transferir 44 presos de Itapajé para presídios na região metropolitana de Fortaleza - o complexo de Itaitinga, na Grande Fortaleza, abriga a maioria dos líderes das quatro facções que atuam no Estado - além do PCC, há ainda a Guardiões do Estado (GDE), apontada como executora da chacina, o Comando Vermelho (CV), alvo do ataque do sábado, e Família do Norte (FDN), do Amazonas, que seria aliada ao CV.

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Além das armas, a polícia aprendeu munições, celulares e drogas. Três outros presos ficaram feridos e foram transferidos para hospitais, e permaneciam em observação. 

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O tiroteio teria tido início pouco depois das 8 horas. “As pessoas nas ruas não ouviram os tiros. Ontem (domingo, 28), tinha tido visita, normal, não estava tenso nem por causa da chacina. Aí, de manhã, começou a espalhar a notícia. Primeiro, disseram que tinha sido uma invasão. Depois, que foi entre eles mesmos”, disse uma mulher, na porta do presídio, que pediu para não ser identificada e tem um primo preso.

Nove das vítimas morreram ainda dentro da cadeia. O décimo morto chegou a ser levado para o hospital da cidade, mas não resistiu. Vídeo e fotos que circulam na cidade mostram mortos no pátio interno da cadeia e dentro das celas, com as marcas de tiros.

 

A Polícia Militar enviou unidades especiais para a cidade. “O que mais tem aqui é facção. Toda a bandidagem é de uma", contou um rapaz que se identificou como primo de um dos mortos, Alex Alan de Souza Silva, que tinha 19 anos e seria ligado ao PCC e foi preso por roubo e associação criminosa. 

As autoridades cearenses não confirmaram as facções dos mortos nem se o crime era resultado da disputa entre elas. Em nota, a Secretaria Estadual da Justiça, informou que “as investigações permanecem no intuito de descobrir a motivação das mortes”. 

“O PCC e o GDE eram aliados, mas estão dizendo que as facções estavam se unindo contra o GDE depois do que houve sábado. Mas aqui nunca tinha acontecido brigas desse jeito”, diz outra familiar de preso. 

Dos dez mortos, nove foram identificados até o momento.

Veja quem são os detentos assassinados

Alex Alan de Sousa Silva

Caio Mendes Mesquita

Carlos Bruno Lopes

Francisco Davi de Sousa Mesquita

Francisco Elder Mendes Miranda

Francisco Elenilson Sousa Braga

Francisco Mateus da Costa Mendes

Manuel Silva Viana

Wilian Aguiar da Silva

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