Briga entre João e João embaralha PT no Recife

João Costa, prefeito mal avaliado, insiste em se reeleger e João Paulo, bom de voto, quer voltar ao cargo: oposição já sonha até com vitória em 2012

Angela Lacerda, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2011 | 00h00

Integrantes da mesma corrente petista - Mensagem ao Partido -, o deputado e ex-prefeito de Recife João Paulo e seu sucessor João da Costa passaram de aliados a ferrenhos adversários para a eleição municipal de 2012.

Candidato natural do partido, Costa não abre mão do direito de disputar a reeleição, mas tem a gestão mal avaliada pela população e padece de falta de carisma. João Paulo, deputado eleito com a maior votação de Pernambuco, deixou a prefeitura após dois mandatos com ótima avaliação e fez de João da Costa - seu secretário nas duas gestões e desconhecido eleitoralmente - seu sucessor. O rompimento veio a seguir. João Paulo, segundo fontes ouvidas pelo Estado, quer ter ingerência sobre o afilhado na prefeitura. O padrinho nega, mas não deixa dúvidas quanto ao grau da ruptura: "Foi política e pessoal".

Não está nos planos do PT nem de seu principal aliado, o PSB do governador Eduardo Campos, perder a prefeitura da capital, mas a oposição se assanha ao antever uma chance de reconquistar o poder municipal - nas mãos do PT desde 2000 - caso Costa seja confirmado candidato.

Passe. Sem espaço dentro do PT, há forte especulação sobre uma eventual saída de João Paulo do partido onde começou sua vida política pela via sindical, como operário metalúrgico - assim como o ex-presidente Lula, de quem se tornou muito próximo. João Paulo foi vereador da capital e três vezes deputado estadual antes de eleito e reeleito prefeito. Tem passe valorizado e seria bem recebido por qualquer sigla que viesse a escolher. Entre as muitas especulações, a de que o governador o levaria para o PSB.

O líder do governo na Assembleia, Waldemar Borges, nega. "Não houve convite do PSB e o governador Eduardo Campos nunca fez incursão dentro da base aliada", assegura. "O governador não se meteu nem nunca vai se meter nessa briga."

É o que também frisa o presidente estadual do PT, deputado Pedro Eugênio. "Não trabalho com essa hipótese", diz ele, ao avaliar que o próprio governador poderia sair prejudicado com um embate entre forças aliadas.

Borges destaca, no entanto, que, na hipótese de João Paulo bater à porta do PSB, "o partido não pode se sentir impedido de conversar sobre nenhum cenário, desde que seja mantida a unidade do conjunto da base aliada". A base aliada em questão, a Frente Popular, é integrada por 16 partidos.O prazo para o ingresso em outro partido para quem tem intenção de se candidatar vai até 7 de outubro. Oposição e situação estão atentas.

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