Brigadeiro descarta principais hipóteses para o acidente da TAM

Em depoimento à CPI, Kersul Filho diz ser improvável que 'falta de ranhuras na pista' seja motivo da tragédia

26 Julho 2007 | 16h55

No mesmo dia em que foi submetido nesta quinta-feira, 26, a um batalhão de perguntas de deputados integrantes da CPI do Apagão Aéreo na Câmara, o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), descartou três hipóteses apontadas como possíveis causas do acidente com o Airbus A320 da TAM - a inoperância de um dos reversos, a ausência de ranhuras para escoamento da água na pista e as condições meteorológicas.   No caso do reverso, ele explicou que é preciso checar se os manuais do fabricante do Airbus permitem condições de pouso com apenas um dos equipamentos em funcionamento.    Kersul  Filho salientou, no entanto, que uma aeronave só é homologada para pousar em uma pista sem a necessidade do uso do reverso. O equipamento, segundo ele, funciona apenas como um elemento de segurança adicional.   O Brigadeiro disse acreditar que a falta de um dos reversos pode ter influenciado psicologicamente o piloto, que operava uma aeronave pesada e em situação de chuva.    Kersul  também ofereceu a auxílio de técnicos do Cenipa para apresentar na CPI, em reunião fechada, as informações das caixas-pretas do Airbus da TAM que explodiu na semana passada, em Congonhas. Chefe do centro de investigação, Kersul teve acesso aos dados das caixas-pretas, que estão sendo analisadas nos Estados Unidos.   "Os dados isolados podem levar a conclusões erradas", comentou. Segundo Kersul Filho, a data da reunião poderia ser definida até o fim da semana que vem.   O brigadeiro disse que, apesar do retorno das caixas-pretas estar previsto para esta sexta-feira, comissão americana que analisa os dados iria se reunir nesta manhã, e, caso surgisse alguma variável, elas poderiam permanecer nos EUA por mais tempo.   Cindacta-4   Kersul Filho, declarou que não descarta a hipótese de sabotagem como causa da pane no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) 4, em Manaus, na última sexta-feira, 20. Ele  observou que os dois geradores que poderiam ser utilizados na falta de energia falharam sucessivamente. Mesmo assim, Kersul Filho afirmou ao relator, deputado Marco Maia (PT-RS), que não houve risco de colisão entre aeronaves, porque as baterias seguraram a operação por 58 minutos. Nesse tempo, elas foram direcionadas pelos controladores para retornar aos aeroportos de origem.   Outro ponto acertado na reunião é a realização de uma inspeção no Cindacta IV, em Manaus, para saber as causas que levaram a paralisar seus serviços, causando problemas sérios para a aviação brasileira.   "Ai então foram acionadas baterias que sustentaram o sistema no ar por 58 minutos, mas depois elas se esgotaram", disse o brigadeiro.   Segundo ele, uma sindicância vai levantar o que houve, e numa investigação, "o investigador não pode deixar de lado hipótese alguma, por isso incluo uma possível imprudência, um erro simples ou até uma sabotagem. O investigador deve ter a mente aberta".   Acidente da Gol   Questionado sobre uma previsão da conclusão da investigação do acidente da Gol, o brigadeiro disse acreditar que até o final de setembro, se não houve contra tempos, um relatório será entregue.   "Desde o início, estamos colocando como previsão 12 meses para emissão do relatório final. Espero que com o relatório, tenhamos capacidade de emitir dezenas de medida de segurança".   Sem problemas   Durante seu depoimento na CPI , Kersul Filho revelou ter recebido a informação de que o Serviço de Proteção ao Vôo da Aeronáutica, considera que o prédio, que chegou a ser anunciado como causador de problemas para pousos de aviões, não causa qualquer problema na aproximação de vôo.   Mais Depoimento   A próxima reunião da CPI da Crise Aérea terá logo cedo, na manhã da próxima terça-feira, um depoimento do presidente da Pantanal.   Um avião da sua companhia derrapou no Aeroporto de Congonhas no último dia 16, um dia antes do desastre com o Air Bus da TAM. Ele vai explicar o que foi levantado sobre o acidente, e também deve falar sobre a operação em Congonhas.

Mais conteúdo sobre:
Crise Aérea Vôo 3054

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.