Brigadeiro diz que caixa-preta revela um 'filme de terror'

A CPI do Apagão Aéreo irá ouvir na manhã desta quarta-feira, em sessão secreta, o áudio da caixa-preta de voz que registrou os últimos diálogos dos pilotos do Airbus A320 da TAM, envolvido no pior acidente aéreo do País. Os deputados prometeram divulgar o conteúdo das gravações, mas muitos parlamentares pediram que fossem mantidos sob sigilo os registros de desespero e pavor, em respeito às famílias dos 199 mortos. No início da tarde, o assessor parlamentar da Aeronáutica, brigadeiro Átila Maia, entregou o conteúdo das caixas-pretas do Airbus 320 da TAM sem esconder a contrariedade por repassar informação confidenciais aos deputados. "Vocês vão receber um filme de terror. O que vão fazer com isso?", perguntou o brigadeiro a um grupo de repórteres, ao deixar a sala da CPI.   O oficial explicou, logo em seguida, que não tinha ouvido o diálogo entre os pilotos do avião da TAM, gravados na caixa-preta de voz. Esclareceu que se referia à grande maioria das gravações em casos de acidentes trágicos como o do dia 17 de julho.   Segundo o brigadeiro, muitas vezes os passageiros percebem a gravidade do problema e as caixas-pretas registram gritos de pavor, além da ansiedade dos pilotos nos momentos que antecedem a colisão. O oficial afirmou não ter dúvida de que desta vez não seria diferente: a caixa-preta do avião da TAM com certeza, segundo ele, registraria o desespero dos pilotos ao perceberem que o acidente seria inevitável.   Desde o início das investigações sobre as causas da tragédia, a Aeronáutica tem insistido que o objetivo da apuração é evitar novos acidentes e não apontar culpados. Por isso, os oficiais foram contra a entrega dos dados à CPI. No entanto, o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) brigadeiro Jorge Kersul Filho, garantiu que atenderia ao requerimento da CPI. Os deputados deram prazo de 48 horas à Aeronáutica para entregar todos os dados da caixa-preta.   O prazo termina na noite de quarta e durante à tarde estavam nas mãos do presidente em exercício da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os documentos e os CDs estão lacrados e guardados no cofre da CPI. Dois funcionários têm a chave. Cunha explicou que a decisão de ouvir a gravação foi consenso entre os deputados. A sessão terá a presença de Kersul.   Também foi chamado o chefe da comissão que investiga o acidente, coronal Fernando Camargo, mas ainda havia dúvida se ele conseguiria viajar de São Paulo a Brasília para participar da reunião. "Marcamos a sessão para amanhã por entendermos que é importante, além da informação bruta, a análise da Aeronáutica sobre o que os dados refletem", afirmou Eduardo Cunha. No início da noite, o brigadeiro Átila Maia teve uma conversa reservada com o relator da CPI, Marco Maia (PT-RS).   O oficial pediu mais uma vez cuidado na divulgação dos diálogos. O representante da Aeronáutica reclamou do excesso de pedidos de documentos feitos pela CPI. Lembrou que, há alguns dias, levou à comissão nada menos de 40 mil cópias de documentos. O argumento do oficial é que nenhum técnico ou parlamentar lerá, e muito menos analisará, tanta informação.

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