JB Neto/AE
JB Neto/AE

Bronca atende a pedido da própria presidente

Dilma solicitou diretamente a Lula que enquadrasse o PT para evitar novas crises; líderes paulistas agora estariam dispostos a selar a paz

João Domingos, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

Na última semana, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), comentou estar à procura de um flat. Ouviu do líder do PT, Paulo Teixeira, também de São Paulo, um convite: "Por que não vem morar comigo? No meu apartamento tem lugar".

Trata-se de um diálogo trivial que pode ser ouvido a qualquer momento entre pessoas amigas ou parlamentares de um mesmo partido e de um mesmo Estado. No caso dos dois, entretanto, é tido como o maior exemplo de que os petistas de São Paulo estão dispostos a parar de brigar.

Vaccarezza e Teixeira estavam em lados opostos desde a eleição de Marco Maia (PT-RS) presidente da Câmara.

Candidato do Palácio do Planalto e das bancadas maiores, como o PMDB, Vaccarezza foi derrotado por Marco Maia na disputa interna do PT para a escolha do candidato à presidência da Câmara. Contra Vaccarezza juntaram-se, além de Paulo Teixeira, o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia e o ex-presidente nacional do PT Ricardo Berzoini (SP). Foi uma briga de parlamentares do alto clero como há muito não se via no Congresso. Todos saíram feridos.

Apesar desse clima de desunião, a presidente Dilma Rousseff exigiu de todos eles que celebrassem a paz. Ao contrário de sua decisão solitária de escolher Gleisi Hoffmann para a Casa Civil, em substituição a Antonio Palocci, na tentativa de pacificar o PT de São Paulo a presidente pediu a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho. Lula fez ver a todos que as brigas só aumentavam a crise.

Os brigões prometeram encerrar as disputas. Para isso fizeram seguidas reuniões na liderança do PT, sob o comando de Paulo Teixeira. Repetiu-se que as diferenças internas devem ser resolvidas em encontros do partido, jamais deixando que possam respingar no governo. Todo mundo prometeu seguir a cartilha da boa convivência, mesmo que Vaccarezza não tenha aceitado ir morar com Paulo Teixeira.

O ex-presidente pediu também que eles dessem início às conversas para a escolha do nome que vai disputar a Prefeitura de São Paulo no ano que vem. Mas, por solicitação do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), o debate foi adiado para o fim do ano. Mercadante sonha em ser o candidato. Mas não quer se envolver agora, quando o governo ainda não completou seis meses e, pela primeira vez, ele conseguiu um lugar em um ministério.

Aloprados. A mais recente edição da revista Veja, no entanto, pode atrapalhar os planos de Mercadante. Segundo reportagem, que usa como fonte um depoimento de Expedito Veloso, ex-funcionário do Banco do Brasil, o atual ministro da Ciência e Tecnologia tinha pleno conhecimento da operação montada pelos "aloprados" em 2006.

Na ocasião, petistas foram presos com R$ 1,7 milhão tentando comprar um falso dossiê contra José Serra, então candidato ao governo de São Paulo e adversário de Mercadante naquela eleição. Mercadante não foi localizado pelo Estado para comentar a reportagem. "Ele (Mercadante), inclusive, era o encarregado de arrecadar parte do dinheiro em São Paulo", diz Veloso, ele próprio um dos "aloprados".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.