Mauro Pimentel/AFP
Mauro Pimentel/AFP

Brumadinho vai exigir que Vale retire 100% de seus rejeitos da cidade

Exigência entrará em vigor após a conclusão das buscas por desaparecidos, missão que não tem data para acabar

André Borges, enviado especial, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2019 | 19h42

BRUMADINHO - A Vale terá de retirar 100% das milhões de toneladas de rejeito que sua barragem despejou sobre Brumadinho. A exigência entrará em vigor após a conclusão das buscas por desaparecidos, missão que não tem data para acabar. No momento, 248 pessoas estão desaparecidas. O número de mortos confirmados chega a 115.

“A Vale vai ter que retirar tudo, não há nenhuma dúvida sobre isso. Já vimos o que ocorreu em Mariana. Quando a lama secou por lá, o município aceitou que a empresa tentasse recuperar a área por cima da lama, com o replantio. E não deu certo. Não aceitaremos isso”, disse ao Estado o secretário de Meio Ambiente de Brumadinho, Daniel Hilário de Lima Freitas.

Não há informações precisas sobre a quantidade de rejeito que vazou da barragem do Córrego do Fundão. Segundo a prefeitura de Brumadinho, a mineradora está fazendo um levantamento sobre esse quantitativo.  “Estamos cobrando deles a quantidade que desceu. Vamos fazer nossa medição também, porque não sabemos se a empresa vai informar corretamente.”

Freitas admite que não há como prever, neste momento, quanto tempo levaria a remoção total do rejeito da Vale, mas diz que será trabalho para muitos anos. “Nem que demore cinco, dez anos. Um dia, Brumadinho vai voltar a ser como era. A Vale vai ter que retirar e limpar a área, levar no solo original e fazer o plantio das espécies todas que tinham lá.”

Muitos moradores da cidade duvidam que a empresa vá remover todo o material, dada a quantidade colossal de lama que atingiu a cidade. Hoje, durante cerimônia realizada para homenagear as vítimas da tragédia, autoridades disseram que ainda não há definições sobre o assunto. A Vale não enviou nenhum porta-voz para falar com a imprensa durante a cerimônia, uma semana após o desastre.

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