Bruno nega sequestro de Eliza em primeiro depoimento sobre o caso

O goleiro, porém, afirmou que o primo menor de idade trocou agressões com a ex-amante; Eliza teria pedido dinheiro para despesas e foi até MG para receber pagamento

Marcelo Portela - O Estado de S. Paulo,

11 Novembro 2010 | 12h07

BELO HORIZONTE - O goleiro Bruno Fernandes negou em depoimento à Justiça iniciado na manhã desta quinta-feira que a ex-amante Eliza Samudio, de 25 anos, tenha sido sequestrada ou obrigada a viajar do Rio de Janeiro para o sítio do atleta em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Este é o primeiro depoimento do jogador desde o início das investigações sobre o desaparecimento de Eliza, em julho.

 

O goleiro assumiu, no entanto, que um primo dele, um menor já condenado pela morte da jovem, trocou agressões com Eliza após ela xingar Bruno e exigir dinheiro durante uma conversa com o braço direito do atleta, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. Após as agressões - ele disse que o adolescente também foi ferido -, o goleiro afirma que Eliza, que antes havia pedido R$ 1,5 mil para algumas despesas, subiu o valor para R$ 50 mil.

 

Ainda de acordo com Bruno, Macarrão, que era responsável pelo controle dos gastos do goleiro, disse à jovem que não teria como disponibilizar essa quantia. "Conversei com o Macarrão e não tínhamos esse dinheiro. Tínhamos R$ 30 mil,e ela aceitou", contou.

 

Bruno afirmou à juíza Marixa Fabiane Lopes que, apesar de aceitar o acordo, Eliza não acreditou que o dinheiro seria depositado em sua conta e afirmou que viajaria com o goleiro para Minas Gerais para receber o valor em dinheiro. "Todas as vezes que eu combinava alguma coisa com ela (relacionado a dinheiro), cumpria. Não tinha motivo para ela desconfiar", afirmou.

 

Eliza Samudio foi vista pela última vez no início de junho e, apesar de seu corpo nunca ter sido encontrado, o goleiro e outras oito pessoas respondem a processo pelo sequestro, cárcere privado e assassinato de Eliza. Segundo as investigações, ela teria sido obrigada a ir para o sítio em Esmeraldas antes de ter sido morta pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, a mando do goleiro.

 

O motivo do crime seria uma disputa pelo reconhecimento da paternidade do bebê de Eliza, atualmente com nove meses e sob a guarda da mãe da jovem, Sônia de Fátima Moura - que desde o início da semana acompanha as audiências sobre o caso. O depoimento de Bruno começou no fim da manhã e não tem previsão para ser encerrado.

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