Busca por caixa-preta vai durar mais 20 dias

Dirigente diz que ainda há esperança de achar equipamento, mas admite que talvez nunca se tenha resposta para o acidente

Márcia Vieira, O Estadao de S.Paulo

02 Julho 2009 | 00h00

Apesar de já terem se passado 31 dias do acidente com o Airbus da Air France que fazia a rota Rio-Paris, ainda há esperanças de se encontrar as caixas-pretas do avião, segundo o diretor-geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon. Ele se encontrou ontem no Rio com as famílias das vítimas brasileiras durante uma missa e disse que as autoridades francesas vão continuar as buscas submarinas por pelo menos mais 20 dias. "As sondas dos submarinos ainda podem captar sinais na área onde o avião provavelmente caiu", acredita. Leia a entrevista na íntegra e veja mais informações do acidente Na entrevista ao Estado, ontem, Gourgeon revelou que todos os modelos Airbus A330 da companhia teriam as sondas pitot trocadas a partir de 1º de junho, um dia após a queda do avião que matou 228 pessoas. Isso não significa que a Air France admita que o acidente tenha sido provocado por um defeito nessas sondas que aferem a velocidade do avião. "Talvez nunca tenhamos todas as respostas", admitiu Gourgeon, de 62 anos, que assumiu a direção-geral da companhia apenas seis meses antes do acidente. Como foi o encontro com as famílias das vítimas no Rio? Elas fizeram muitas perguntas sobre o acidente. Avisei que amanhã (hoje), na França, o BEA (órgão que investiga as causas do acidente) vai emitir seu primeiro relatório com dados do avião, da rota, as informações meteorológicas, o lugar provável da queda. Mas não se pode esperar que o relatório revele o que se passou, porque nós não temos ainda as caixas-pretas. As análises que poderão ser feitas a partir desses dados são muito demoradas. Talvez nunca tenhamos respostas completas. Nunca saberemos o que aconteceu com o voo AF 447? Não sei. As autoridades francesas continuam as buscas submarinas para encontrar os registros de bordo. A esperança de encontrar as caixas-pretas não acabou. Elas emitem sinais por no mínimo 30 dias, mas pode ser que sejam emitidos por até 40, 50 dias. As autoridades brasileiras suspenderam as buscas. Foi precipitado? A contribuição brasileira foi essencial. Graças à Marinha e à Aeronáutica foi possível recuperar 51 corpos e restos do avião, muito importantes para as investigações. Mas seria inútil continuar as buscas. Este foi o pior acidente da história da Air France. Os pilotos receberam recomendações para mudar procedimentos? Não há mudanças sensíveis depois do acidente. Todos os pilotos da Air France estão dando mais atenção ao problema meteorológico. A zona do acidente é extremamente agitada do ponto de vista meteorológico e isso é um fator que contribuiu com o que aconteceu. Os pilotos são treinados para evitar as formações de tempestade de forma a não sofrer turbulências muito violentas. Mas não há como fazer uma rota sem encontrar essas tempestades, sobretudo à noite. E os aviões são preparados para isso. Não há motivo, nem possibilidade, de se modificar a regra básica: contornar as tempestades. Por que a troca dos sensores externos de velocidade, os pitots, nos modelos Airbus A330 e A320 foi acelerada depois do acidente? Em agosto de 2008 tivemos incidentes de givrages (gelo que se formava dentro dos sensores de velocidade). Quando isso acontece, as informações sobre velocidade são desencontradas. Há procedimentos que o piloto faz para conduzir o avião corretamente até que o gelo desapareça. Foram sete incidentes registrados até outubro. Procuramos a Airbus para saber se seria útil trocar esses sensores. O construtor respondeu que não. Em abril de 2009, a Airbus nos informou que testes mostraram que a sonda BA poderia reduzir significativamente os incidentes de givrage e nos propôs fazer a troca em dois aviões, para ver o que aconteceria. Em 27 de abril, respondemos que preferíamos mudar as sondas de todos os aviões. A troca começaria em 1º de junho. Mas não podemos dizer que, se a troca tivesse sido feita antes, o acidente teria sido evitado. Não sabemos se foi um problema de givrage. Como está o processo de indenização das famílias das vítimas? Foi feito um adiantamento de 17 mil para cada família. As indenizações serão discussões mais longas entre as famílias e as seguradoras. Essas conversas começam na semana que vem. A imagem da Air France no Brasil foi atingida? A venda de passagens caiu? Houve queda apenas na primeira semana após o acidente. Hoje não percebemos nada.

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