''Buscamos provas para não deixar dúvidas''

Delegada acredita que 30% do que falta saber não trará ?surpresas?, mas fará todas as perícias que forem necessárias

Carina Flosi, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2008 | 00h00

Apesar de nenhum laudo ter sido divulgado até agora, a polícia já tem várias conclusões sobre a morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos. É o que afirma uma das principais responsáveis pela investigação, a delegada-assistente do 9º Distrito Policial (DP), no Carandiru (zona norte de São Paulo), Renata da Silva Pontes. Segundo ela, as conversas com peritos e legistas ocorrem regularmente e - confrontadas com os depoimentos já tomados - permitem dizer que já se sabe 70% do que aconteceu no dia do crime. E os outros 30% não devem trazer surpresa para a polícia.Outros 19 depoimentos devem ser tomados nos próximos dias. Mas, segundo ela, uma história só ganha credibilidade quando é contada "por pelo menos quatro pessoas". Questionada sobre o número de perícias, ela ressaltou que outras podem ocorrer, para esclarecer pontos que forem apurados. "Estamos buscando provas para não deixar dúvidas no fim da investigação."O que é possível dizer das investigações feitas até agora?O que eu posso revelar é que, dentro da cena do crime, juntando as peças e as provas que a gente já tem, dá para visualizar 70% do que aconteceu no dia. Isso juntando testemunhas e provas técnicas.Já se sabe quem matou Isabella?A polícia está chegando mais perto da verdade.E pode haver alguma surpresa nos 30% que faltam?Eu acredito que não.Quando se poderá dizer que o caso está 100% solucionado?Não existe prazo para isso. Não depende só da gente, mas dos resultados dos laudos técnicos. Todos os dias nós colhemos depoimentos.Esse 70% é da cena do crime?É. Se você imaginar o que aconteceu, que nesse caso foi um crime dentro daquele apartamento, a gente já tem 70% referente à dinâmica do crime, ao ferimento e onde aconteceu. Enfim, tudo o que foi feito lá dentro até o óbito. Estamos buscando agora provas para não deixar dúvidas no fim da investigação.Ainda existe a possibilidade de um terceiro suspeito?Eu não posso revelar. Mas todos os dias vêm provas novas para a gente.Quantas pessoas ainda devem prestar depoimento?Temos 19 pessoas intimadas somente para esta semana. E outras pessoas que eu sei que vou precisar do depoimento serão chamadas, mas ainda não foram notificadas. São familiares, moradores...E os laudos dos Institutos Médico-Legal e de Criminalística?São imprescindíveis. Nós não temos nenhum laudo até agora, nenhum resultado está pronto. Mas a gente já tem várias conclusões.Como é que, sem laudos, vocês chegaram a 70% do caso?Com base nos depoimentos e nas outras provas que foram colhidas. E também com base no que os peritos e os legistas têm nos falado.Dizer que só falta investigar 30% não diminui o que ainda resta?Eu tenho certeza absoluta de que não. Se eu revelar o que eu tenho, você vai questionar o que eu ainda não tenho. E essas provas que estão faltando eu não posso permitir que alguém vá lá e as destrua.Não foram feitas muitas perícias?Serão feitas quantas forem necessárias porque precisamos sempre de novos dados para esclarecer as dúvidas que vão surgindo no caso.E a fita no supermercado, que mostra a família poucas horas antes do crime, ajudou?A fita ajudou. Era o que nós esperávamos. E o motivo de termos requisitado essa fita atendeu às nossas expectativas.Houve algum depoimento que possa ser classificado de revelador?Não. Um depoimento está complementando e dando credibilidade ao outro. Até agora foram recolhidos 36 depoimentos. É importante esclarecer que a gente não se contenta com um depoimento. É preciso ao menos quatro pessoas contando a mesma história para que elas ganhem alguma credibilidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.