Buscas por assassinos de cabo do Bope causam 6 mortes no Rio

Novo comandante do Bope chama de 'caçada' a busca pelos responsáveis pela morte da semana passada

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo,

16 Julho 2009 | 17h43

A busca pelos assassinos do cabo do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Ênio Roberto Santiago dos Santos, de 33 anos, completou seis dias nesta quinta-feira, 16, com um saldo de seis mortes. Além das vítimas uma mulher foi ferida, três estão presos e policiais apreenderam armas e drogas. Ao assumir o comando da tropa de elite da polícia fluminense, o tenente-coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes, disse que vai até o final no que chamou de "caçada".

 

O cabo foi morto na manhã do dia 10. Ele tentou impedir o roubo de um carro na Tijuca, na zona norte do Rio, e acabou baleado com um tiro na nuca. Santos era motorista do então comandante do Bope, Alberto Pinheiro Neto. A procura pelos assassinos começou na tarde do mesmo dia nos morros mais próximos ao crime, o Turano e a Chacrinha.

 

De acordo com o Bope, um homem que trocou tiros com os policiais foi morto. No entanto, moradores do Turano, afirmam que Rodrigo Morais da Silva, de 18 anos, participava de um programa educativo na Fundação para a Infância e Adolescência (FIA) e não tinha ligações com o crime. A FIA informou que o rapaz estava desligado da instituição.

 

No dia seguinte, o Bope fez a primeira investida contra os morros da Fallet e Fogueteiro, em Santa Teresa (centro). Após um intenso tiroteio, dois supostos criminosos morreram e uma mulher ficou ferida por uma bala perdida. Ao final da operação, homens armados desceram o morro e em represália queimaram um ônibus na Rua Itapiru, no Rio Comprido.

 

No dia 13, ocorreu a operação mais violenta. O Bope subiu o Morro Santo Amaro, no Catete (zona sul), e matou três traficantes, que receberam os policiais a tiros. No início da manhã de ontem, o batalhão voltou aos morros do Fallet e Fogueteiro, mas não prendeu ninguém e nada foi apreendido.

 

Nesta quinta, o setor de Relações Públicas do Bope, reafirmou que todos os mortos eram ligados ao tráfico de drogas e ressaltou que as operações vão continuar. Estudiosos alertaram que a presença do novo comandante da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte, com a farda do Bope no enterro do cabo pode ser interpretada pela sociedade como uma mensagem de vingança pela morte do policial.

 

"A presença dele com a farda do Bope foi desafortunada, pois ele não representa mais apenas uma unidade, mas toda a corporação", afirmou o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador de segurança pública, o sociólogo Ignácio Cano.

 

Ele afirmou que considera justa e necessária a busca pelos assassinos, mas alertou que a postura do Bope em assumir a tarefa de achar os criminosos pode ser interpretada pela sociedade como vingança. "Pela Lei, o trabalho deveria ser feito pela polícia investigativa. Isso só demonstra a esquizofrenia entre as polícias no Rio e reforça a lógica do extermínio mútuo entre policiais e criminosos", afirmou o sociólogo.

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