Buscas por desaparecidos em naufrágio no AM continuam

Barco foi içado nesta manhã e nome correto foi divulgado; ao menos 20 pessoas ainda estão desaparecidas

André Alves, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2008 | 19h43

As equipes que ainda procuram vítimas do naufrágio do barco Comandante Sales 2008 estão percorrendo uma área de 60 quilômetros em busca de corpos de pelos menos 20 desaparecidos. Até o fim da noite desta segunda-feira, 6, o Instituto Médico Legal (IML) de Manaus havia recebido 17 corpos de passageiros. O prefeito da cidade de Manacapuru, Washington Régis, decretou luto oficial de três dias em virtude da tragédia, que abalou o município.   A embarcação Comandante Sales naufragou no Rio Solimões, interior do Amazonas, na madrugada de domingo, 5, quando transportava brincantes de uma festividade tradicional da Comunidade do Pesqueiro, na margem esquerda do rio. Eles voltavam para o município de Manacapuru, a cerca de 68 quilômetros de Manaus. A viagem duraria uma hora e 20 minutos, mas a embarcação tombou logo após a partida.   O barco teria entrado em um "rebojo", espécie de redemoinho, e virou às 5h45, horário local. A bordo da embarcação havia cerca de 100 pessoas. Segundo o coronel do Corpo de Bombeiros, Roberto Rocha, que comanda as equipes de resgate na área do acidente, é possível que até cinco pessoas ainda estejam desaparecidas.   No domingo, Marinha e Corpo de Bombeiros trabalhavam com a estimativa de que pudesse haver pelo menos 30 desaparecidos. O dado foi diminuído nesta segunda-feira em virtude da baixa procura de parentes por familiares desaparecidos. Acredita-se que 60 pessoas tenham conseguido se salvar do acidente. Dezessete morreram e outras 20 estariam desaparecidas.   Roberto Rocha afirmou que o número de passageiros que se salvou também é incerto, já que não há uma lista de pessoas que estavam dentro do barco. "Estamos esperando que os parentes venham até nós reclamar a falta de algum familiar", comentou Rocha.   O coronel explicou que três equipes de buscas estão espalhadas em um raio de até 60 quilômetros à procura de corpos. Aproximadamente 100 homens, entre agentes da Marinha, das Defesas Civil de Manacapuru e de Manaus, bombeiros e policiais civis e militares ajudam nos trabalhos de resgate. Um helicóptero da Marinha, um navio patrulha e lanchas são utilizados na operação.   "Estamos fazendo buscas por superfície, de uma margem à outra do Rio Solimões, que dá aproximadamente 3,5 quilômetros", informou Rocha. "Também delimitamos um espaço de 60 quilômetros de distância para percorremos o rio em busca de corpos", comentou.   Rocha disse ainda que a forte correnteza, a água barrenta e a cheia do rio têm prejudicado um pouco os trabalhos de resgate. Segundo ele, o barco Comandante Sales 2008 foi levado por 13 quilômetros pela correnteza do rio, depois que naufragou.   De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Antônio Dias, as buscas deverão continuar "até quando houver esperança de encontrar corpos". "Continuaremos as buscas até quando esgotarmos todas as possibilidades de encontramos alguma vítima", disse ele.   Nome correto   O barco Comandante Sales 2008 foi içado ainda nesta madrugada e levado ao Porto de Manacapuru. Segundo o comandante da operação, coronel Roberto Rocha, do Corpo de Bombeiros, o trabalho de perícia na embarcação, realizado pela Marinha, já foi iniciado. No domingo, o comando do 9º Distrito Naval, sediado em Manaus, anunciou a abertura de inquérito administrativo para punir os responsáveis pelo acidente. O inquérito deve ser concluído num prazo de 90 dias.   A assessoria de comunicação da Marinha havia informado, anteriormente, que o barco naufragado na madrugada de domingo chamava-se Comandante Sales. Nesta segunda-feira, o setor divulgou comunicado corrigindo a informação. Segundo a Marinha, só após o içamento do barco pode-se perceber o nome completo da embarcação, que chama-se Comandante Sales 2008.   Igualmente ao Comandante Sales, o barco Comandante Sales 2008 não tinha autorização para operar. As duas embarcações pertenciam a um mesmo proprietário, identificado como Francisco Alves Sales que, segundo a assessoria de comunicação da Marinha, morreu no acidente. De acordo com a Marinha, a embarcação naufragada entrou em operação há cerca de um mês, mas não tinha processo de regularização na Capitania dos Portos.   Momento de agonia   Sobrevivente do naufrágio, Estéfano Lima, 20, disse que viveu horas de agonia quando o barco Comandante Sales 2008 tombou. Conforme declarou ao jornal A Crítica, ele ainda ficou preso dentro da embarcação, antes de conseguir se salvar.   "Fiquei preso dentro da cabine. Na hora que o barco virou, apaguei. Quando dei por mim, a água me jogou contra a parede. Tentei sair (do barco). Não dava para ver nada. Batia na parede. Mergulhei para o fundo e vi um clarão. Subi. Quando boiei, dois amigos boiaram ao meu lado", relatou.   "Fomos para cima do toldo (lona da embarcação). O barco estava emborcado. A hélice ainda girava. As pessoas gritavam (...). Vi uma moça subindo. Estava quase desmaiando. Puxamos ela para cima e fizemos massagem e respiração boca-a-boca. Colocamos ela num barco a jato (espécie de lancha) e mandamos ela para Manacapuru", contou.

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