Buscas por sobreviventes de desabamento vão até a madrugada

As buscas por sobreviventes do desabamento do prédio no centro do Rio estão previstas para terminar durante a madrugada de quinta-feira. O serviço de resgate à noite deve ser facilitado pela diminuição do barulho e a utilização de detectores acústicos - captadores sonoros capazes de registrar respiração, batimentos cardíacos e gemidos.Cinco cães farejadores também participam da operação. As escavadeiras entraram em ação minutos depois do acidente. Mas com alguns cuidados, a fim de evitar outros desabamentos, o que poderia atingir vítimas eventualmente com vida.O coronel Jorge Lopes, relações-públicas do Corpo de Bombeiros do Rio, comentou que o prédio da esquina das ruas do Rosário e 1º de Março tinha pouca estrutura de metal. "Isso dá menos chances de resgate." Segundo ele, edifícios mais modernos, em situações idênticas, possibilitam a formação de abrigos entre as lajes.O prefeito Cesar Maia chegou ao local três horas depois do acidente. Ele disse que o prédio é tombado "há muitos anos pela prefeitura" e o mais importante seria salvar as vítimas. Maia destacou a importância de se verificar que tipo de obra estava sendo feita no local, porque não são todos os casos que necessitam de licença. "O prédio faz parte do corredor cultural, por isso não paga IPTU, e há 90 dias tinha sido notificado, junto com outros 70, por falta de conservação da fachada", informou.Cesar Maia disse ainda que só em três situações há fiscalização da prefeitura - quando o proprietário do imóvel procura a administração pública, se há denúncia de vizinhos sobre irregularidades e quando se notam problemas externos na fachada. O prefeito confirmou que a obra na lanchonete do térreo era para a retirada de parte do mezanino. "Não há condições de a prefeitura fiscalizar 600 mil prédios na cidade", declarou. Ele informou também que "há mais ou menos dez anos", o imóvel sofreu um acréscimo "irregular" de dois andares e, por isso, a prefeitura vai investigar como a obra foi feita. "Na observação da fachada não havia sinais de problemas estruturais, mas vamos levantar toda a ficha do imóvel." Um laudo técnico pericial do local do acidente vai ser preparado e a prefeitura vai ouvir as pessoas que freqüentavam o prédio para tentar descobrir indícios que levem à causa do acidente.DeslocamentoEnquanto autoridades chegavam à area isolada pela Defesa Civil, engenheiros da Rio-Urbe, empresa responsável pela execução de obras municipais, acompanhavam com aparelhos o movimento do prédio anexo ao que desabou. Houve, até às 19h15, um deslocamento de cinco milímetros no edifício, o que ainda não comprometia sua estrutura.Frederico José Feijó, de 30 anos, por pouco não ficou sob os escombros. Ele caminhava pela Rua do Rosário e parou sob a marquise do prédio que ruiu para conversar por celular com sua mulher. Percebeu a movimentação estranha das pessoas ao redor do edifício. Mas demorou a entender o que estava acontecendo. "Quando me dei conta, o prédio tombou e só tive tempo de correr", contou.Feijó perdeu o telefone celular e ficou com a roupa toda empoeirada. Estava nervoso, tentando falar novamente com a mulher, que poderia estar apreensiva por causa de seu grito de desespero e a queda da ligação. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as causas do acidente.O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio (Crea-RJ) não tinha a confirmação até o início da noite de hoje de que a obra no Café e Bar Correio - nome da lanchonete que funcionava no térreo do prédio - não estava com licença do conselho. O vice-presidente do Crea, Jacques Sherique, supôs que operários teriam retirado uma parede sem os cuidados devidos. "Isso teria afetado a estrutura e provocado o desabamento", declarou.A imagem da destruição era visível desde a Avenida Rio Branco, na esquina da rua do Rosário. O monte de entulhos e de escombros tinha mais de três metros de altura. O trânsito na Rio Branco, a principal avenida do centro da cidade, foi interditado a partir das 16 horas. Uma multidão acompanhou a tarde inteira o serviço de buscas e muitas lojas nas proximidades fecharam as portas. Como a rua 1º de Março estará amanhã interrompida ao trânsito, presume-se que o centro do Rio terá um dia caótico, com conseqüências em trechos das zonas sul e norte.

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