Busto de príncipe desaparece em Goiás

Esquentou a discussão dos cerca de 500 habitantes do povoado goiano de São Jorge sobre a manutenção do busto de Frederik, príncipe herdeiro da Dinamarca, na única praça da Vila. Na madrugada de sábado a cabeça do busto foi arrancada, exatos três meses após sua inauguração com um churrasco regado a cerveja dinamarquesa, oferecido pela embaixada da Dinamarca no Brasil. Desde que foi erigido em São Jorge, o busto do príncipe vem provocando polêmica entre os moradores. Alguns dizem que a cabeça de bronze foi parar no fundo da cachoeira de 120 metros que fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.Desde que o príncipe Frederik decidiu doar US$ 12 mil para a construção de uma praça na Chapada dos Veadeiros, os moradores de São Jorge dividiram-se. Os contrários à homenagem ao príncipe herdeiro, de 33 anos, haviam prometido que ainda dariam sumiço ao busto de bronze. Na primeira tentativa, frustaram-se; na segunda, tiveram êxito.O príncipe herdeiro da Dinamarca decidiu doar a praça para os moradores de São Jorge depois do passeio que fez à Chapada dos Veadeiros, em maio de 1999. Gostou tanto do local que determinou à Embaixada de seu país no Brasil que fizesse a doação de cerca de US$ 12 mil para as obras. Mas exigiu que seu busto fosse erguido na praça.LaranjasGrupos de hippies que estiveram no fim de semana em São Jorge improvisaram outro busto para o lugar do de Frederik.Numa lâmpada apanhada na própria praça, puseram duas laranjas como se fossem olhos e, de um papel, fizeram algo como se fosse um nariz. De um copo de plástico fizeram um chapéu com o sinal de uma estrela. Seria, segundo os hippies, o "Príncipe Nóia" (gíria que significa, ao mesmo tempo, medo e droga).O ex-garimpeiro Valdir Carlos da Silva, um dos defensores da estátua do príncipe, deu-se por vencido, ao perceber que o busto havia sido arrancado. "Não dá mais para lutar contra esse povo", disse. Quando a praça foi inaugurada, havia 22 lâmpadas incandescentes e quatro spots que iluminavam o busto do príncipe e uma escultura de São Jorge, feita por Mara Nunes. Agora, restam seis lâmpadas.Na inauguração da estátua, em 14 de julho, a embaixadora da Dinamarca no Brasil, Anita Hugau, distribuiu camisetas com a foto do príncipe e ofereceu um churrasco, acompanhado de cerveja dinamarquesa. Até hoje os moradores de São Jorge usam as camisetas.

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