Butantã volta a produzir soro contra o botulismo

O Instituto Butantã já começou a coletar plasma de cavalos inoculados com a toxina do botulismo e promete para o início do segundo semestre a disponibilidade do soro antibotulínico, que há mais de uma década não era produzido no Brasil. A informação é do presidente da Fundação Butantã, professor Isaías Raw, para quem não foi possível produzir o soro antes, porque quase todos os cavalos inoculados faleceram no mesmo dia, no ano passado, quando ingeriram uma ração comercial contaminada com um cocciodiostático específico para aves.O botulismo voltou a ser preocupação dos médicos do mundo inteiro recentemente, depois dos casos de bioterrorismo nos Estados Unidos, em que foi usado o antraz. Ao contrário daquela moléstia, que não se espalha facilmente, a toxina botulínica é considerada ideal para atentados, pois pode ser colocada nas fontes de abastecimento de água, matando milhares de pessoas e é de fácil acesso, pois o "botox", produto usado por pelos plásticos para eliminar rugas do rosto tem como base a toxina extremamente diluída.No Brasil são raros os casos de botulismo, pois o veneno se forma em conservas artesanais mal esterilizadas, que não fazem parte da tradição brasileira e eventualmente foi registrado em mel silvestre. Recentemente, porém, houve três casos em Goiás, causados por uma conserva de piqui e alguns outros, esparsos, decorrentes do consumo de palmito contrabandeado da Bolívia. Nesses casos, mesmo administrando-se o soro e evitando-se a morte da vítima, a recuperação demora vários meses, até que voltem a funcionar os músculos paralizados, como os do pulmão, e o paciente tem que ser mantido num respirador mecânico.Em casos recentes, como o soro existente no Butantã era antigo, foi necessário adquirí-lo no exterior e o custo foi de US$ 2 mil cada ampola, afirma Isaias Raw. Produzido no Brasil, entretanto, o preço será de apenas US$ 20,00. O soro já está preparado, o que falta são os testes de pureza, de eficácia, quando é ministrado em animais, depois do que será colocado em ampolas.E a partir de agora a cada dois anos uma nova partida será fabricada.

Agencia Estado,

26 de janeiro de 2002 | 09h04

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