Cabeça de Arruda é saída para salvar pele de deputados

Para afastar o perigo da intervenção no Distrito Federal, a Câmara Legislativa prepara um sacrifício político: pretende cassar o mandato do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM).

Bastidores: Carol Pires, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2010 | 00h00

No início da crise do chamado "mensalão do DEM", os 19 deputados que compunham a base aliada do governador pretendiam ensaiar uma farsa cujo script apontava para a salvação de seu mandato e de todos os parlamentares operadores e beneficiários do esquema de pagamento de propinas.

Com a prisão de Arruda pela Polícia Federal, pela acusação de tentativa de subornar uma testemunha, e o pedido de intervenção na Casa, os deputados distritais apostam, agora, na própria sobrevivência, em vez de investir esforços na tentativa de patrocinar a salvação alheia.

Três meses de letargia foram abandonados e um inusitado ativismo investigatório tomou conta da Câmara Legislativa. Após abrir processo de impeachment de Arruda, os deputados da base governista surpreendem ao deixar que o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa seja ouvido pela CPI da Corrupção. Barbosa é o delator do esquema de corrupção no governo do Distrito Federal.

No radar, há mais um sinal de que a Câmara Legislativa pretende oferecer a carreira de Arruda como forma de expiar os próprios pecados.

A expectativa é de que um novo passo nesse sentido seja dado nos próximos dias, quando os deputados distritais devem aprovar pedido do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que seja aberta ação penal contra o governador por tentativa de suborno e falsidade ideológica.

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