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Cabos e soldados querem demissão de secretários

A Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo vai elaborar um documento para ser enviado ao governador Cláudio Lembo, pedindo a demissão dos secretários de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, e de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa. O presidente da Associação, cabo Wilson Morais, classificou como irresponsável a atitude dos dois secretários que, segundo ele, sabiam da possibilidade dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) às bases e delegacias e não alertaram a tropa.Governador nega erro estratégicoEm entrevista coletiva concedida na tarde deste sábado, 13, Lembo, afirmou que sabia desde a noite de quinta-feira que os criminosos ligados ao PCC planejavam ataques e várias medidas foram tomadas, o que teria evitado um número maior de mortos. Ao todo foram 55 ações, entre a noite de sexta-feira e manhã de sábado em todo o Estado, contra bases, veículos e policiais da Polícia Militar, Polícia Civil, Guardas Civis e da Administração Penitenciária, que resultaram em 30 mortes. Mais duas bases da GCM foram atacadas nesta tarde, deixando um guarda ferido.Lembo negou que tenha havido erro estratégico pois a transferência de presos "era uma atitude que tinha que ser tomada", referindo-se à decisão nesta semana do governo de levar 765 detentos de maior periculosidade para um presídio de segurança máxima em Presidente Venceslau e que teria suscitado a reação. O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Saulo de Castro, afirmou que o governo buscará ao longo da próxima semana formas de agilizar os processos e reduzir a burocracia para que a polícia consiga agir mais rapidamente na identificação e prisão dos autores dos ataques. Castro não detalhou as providências que serão tomadas por serem informações sigilosas. "Não vai haver retrocesso nas decisões", afirmou, referindo-se à transferência dos presos.O secretário Nagashi Furukawa disse que a comunicação de presos com pessoas de fora - o que teria viabilizado novamente as ações dos criminosos - pode ocorrer de várias formas, inclusive por meio de pessoas que têm permissão judicial de entrar nos locais. Sobre a eliminação concreta do uso de celulares nos presídio, o secretário afirmou que sempre serão encontradas formas de burlar a segurança e acredita que as operadoras de telefonia é quem teriam o ônus de bloquear os sinais.RebeliõesDetentos de 20 unidades prisionais estão rebelados em todo o Estado de São Paulo. Outros motins, em Itirapina, Avaré, Iaras e Guareí, foram controlados durante a tarde, segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária. Presos das unidades de Serra Azul, Ribeirão Preto, Pirajuí, Araraquara, Flórida Paulista, Lucélia, Lavínia, Mogi das Cruzes, Suzano, Marabá Paulista, Campinas, Diadema, Franco da Rocha, Riolândia, Potim, Presidente Prudente, Irapuru, São José do Rio Preto, Paraguaçu Paulista e do CDP de Osasco estão rebelados. Em Lavínia, os detentos fizeram um refém. No CDP de São José do Rio Preto, os amotinados impediram as visitas de saírem da unidade. Em Paraguaçu Paulista, há 3 reféns; em Irapuru, 5; em Lucélia, 8; em Marabá Paulista, 2; em Presidente Prudente, 6; em Riolândia, 12; em Ribeirão Preto, 9 ; em Pirajuí, 10, em Mogi das Cruzes, 6; e em Diadema, 9. Em Flórida Paulista, não foram feitos reféns. Ainda não há informações sobre reféns nas outras unidades rebeladas.MarcolaO líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, já está na Penitenciária de Presidente Bernardes, sob regime diferenciado de detenção. Conversas telefônicas entre detentos de penitenciárias da região noroeste do Estado, grampeadas pelo Departamento de Polícia do Interior (Deinter-5), de São José do Rio Preto, identificaram que a ordem dos ataques a PMs na madrugada deste sábado foi dada por . Marcola também teria ordenado a rebelião na Penitenciária de Valparaíso, onde 951 detentos estão dormindo ao relento porque o presídio teve suas dependências internas totalmente destruídas. Movimento só perde para 2001Esta é a segunda maior ocorrência de rebeliões simultâneas na história do Estado. Em fevereiro de 2001, 25 presídios e 4 cadeias participaram de motins organizados pelo PCC. O movimento deixou pelo menos 16 presos mortos e teve a participação de 25% dos 94 mil detentos do Estado. (colaboraram Solange Spigliatti, Márcia Furlan e Chico Siqueira)

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