Cabral antecipa pagamento a militares para esvaziar ameaça de greve

Líderes da categoria se reúnem na quinta-feira, 9, na Cinelândia, centro do Rio, para decidir se fazem paralisação

Luciana Nunes Leal e Pedro Dantas, de Estado de S.Paulo, atualizado às 15h45

07 Fevereiro 2012 | 11h15

RIO - Na tentativa de evitar o desgaste do ano passado, quando entrou em conflito com bombeiros que radicalizaram o movimento por aumento salarial, e diante da gravidade da situação na Bahia, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), se mobiliza para esvaziar a ameaça de greve da polícia e da defesa civil às vésperas do carnaval.

 Além de antecipar para este mês o pagamento dos reajustes de bombeiros e de policiais militares e civis que aconteceria ao longo de 2012, Cabral deu entrevistas ontem, segunda-feira, 6, em que prometeu normalidade e segurança para a população e atacou “os que apostam no quanto pior melhor”.

Dois movimentos preocupam integrantes do governo. 

Hoje líderes de policiais e bombeiros prometem lotar a Assembleia Legislativa para acompanhar o início da discussão em plenário do projeto de lei que antecipa os reajustes, enviado pelo Executivo na semana passada. Eles não gostaram da proposta e ameaçam entrar em greve.

Na quinta-feira, as categorias se reúnem na Cinelândia, um dos pontos mais movimentados do centro, em assembleia que decidirá se iniciam ou não a paralização no dia seguinte.

O governo não cogita reajustes maiores e instruiu a base na Assembleia a aprovar o projeto que prevê pagamento de reajustes em fevereiro deste ano e fevereiro e outubro de 2013, antecipando o que seria pago até dezembro de 2014.

Entre 2012 e 2013, o aumento total será de 38,8%. Os militares sem filhos que recebiam auxílio-moradia da 45% sobre o soldo terão um aumento extra e passarão a receber os 107% pagos aos que têm dependentes. Pela proposta do Executivo, o salário base de um soldado da PM e do Corpo de Bombeiros chegaria em outubro de 2013 a R$ 2.077,23 mensais, incluindo o auxílio-moradia, de cerca de R$ 551,36.

Reivindicações. A categoria reivindica R$ 3.500 como salário inicial dos soldados. O salário base dos soldados policiais e bombeiros hoje é R$ 1.277,13 para os que têm auxílio-moradia menor e de R$ 1.510,18 para os que têm o benefício maior. O reajuste a ser pago este mês será de pouco mais de 10%. “O que o governador propõe não atende a nenhuma das três categorias. Há nove meses tentamos uma audiência com ele, sem resposta”, diz o líder do movimento dos bombeiros, o cabo Benevenuto Daciolo. Segundo Daciolo, policiais e bombeiros trabalharão hoje com fitas pretas em sinal de luto e solidariedade aos PMs baianos.

Os PMs reivindicam ainda R$ 350 de vale refeição e outros R$ 350 de vale transporte, além de adicional de insalubridade. “Temos diagnosticado tentativas de desestabilizar o Estado. Vem de um grupo reduzido, aqueles derrotados nas eleições de 2010 que fazem oposição irresponsável. Mas as corporações não se contaminam”, disse o governador em entrevistas a rádios do Rio, sem citar nomes dos adversários.

Em vários momentos, Cabral exaltou a “serenidade” da “grande família Segurança Pública”.

Negociação. Deputados da oposição como Marcelo Freixo, do PSOL, Clarissa Garotinho, do PR, e Flávio Bolsonaro, do PP, se organizam para apresentar emendas ao projeto do governo. “Se o governador estivesse aberto à negociação desde o ano passado, não teríamos a iminência de uma crise sem precedentes. Com a situação na Bahia, a coisa está mais acirrada aqui”, diz Freixo.

O líder do governo na Assembleia, André Corrêa (PSD), não acredita em radicalização do movimento. “O governo está dando um aumento inédito. Esta é uma questão de Estado, não pode ser contaminada por projetos eleitorais. Nem as lideranças dos movimentos nem a oposição querem que o Rio se transforme na Bahia”, disse o parlamentar.

Paralisação. Se a greve for aprovada, reunirá pela primeira vez que policiais militares, civis e bombeiros. “Será uma greve legal, pois já oficiamos as autoridades com mais de 48 horas de antecedência. Manteremos 30% do efetivo para atender aos flagrantes e remoções de corpos”, afirmou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Fernando Bandeira.

Enquanto os policiais militares contam com o apoio de alguns oficiais, os delegados de polícia reprovam o movimento. As lideranças dos bombeiros prometem aderir, mas afirmam que a iniciativa da greve é dos PMs.

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