Cabral atinge limite de pontos, mas não perde CNH

Segundo jornal, governador do Rio levou 9 multas em 2007; assessoria diz que ele nunca dirigiu carro citado

Da Redação,

25 de julho de 2008 | 12h57

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, estourou o número máximo de pontos permitidos em sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em 2007. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Dia nesta sexta-feira, 25, porém, Cabral ainda não teve o documento cassado pelos órgãos de regulamentação de trânsito. A assessoria de governador não nega a informação, mas afirma que "o carro mencionado na reportagem nunca foi dirigido pelo governador no período citado".   A publicação aponta que, no ano passado, Cabral levou nove multas, sendo todas as infrações ocorridas em um período inferior a 12 meses. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), motoristas que atingem 20 pontos na CNH em um intervalo de 12 meses devem perder o direito de dirigir.   Ainda de acordo com o jornal, entre as infrações cometidas por Cabral estão trafegar em velocidade superior à permitida, executar operação de retorno em locais proibidos, avanço de sinal vermelho, dirigir usando celular, desobedecer agente de trânsito e até transpor bloqueio rodoviário sem autorização.   O Detran informou que não pode comentar os dados, que são sigilosos, e por isso não confirmou as informações. Para consultar a pontuação pela internet, é preciso ter o número da carteira e o CPF do motorista.   Nesta sexta-feira, 25, o governador disse que vai pedir informações ao Detran para saber se realmente está entre os que excederam os pontos. "É claro que, segundo o princípio da razoabilidade, no período 2007-2008 estou no exercício do governo do Estado. Evidentemente, que não fui eu quem dirigiu esse automóvel. Acabei de falar com o presidente do Detran, e ele me disse que todas as multas que foram enviadas pela prefeitura serão avaliadas. Todos os proprietários dos carros serão comunicados para que possam se defender. No meu caso, é público e notório que não fui eu quem dirigiu. Isso é malícia de alguém querendo me imputar isso", disse o governador.   O diretor da Coordenadoria de Julgamento de Condutores do Detran, Flávio Horta, explicou que o órgão vinha abrindo 5 mil processos mensais para a suspensão do direito de dirigir de motoristas que acumularam mais de 20 pontos. Esses prontuários só traziam informações das multas feitas pela Polícia Militar, que tem convênio com o Detran.   "O DER (Departamento de Estradas e Rodagem) e a prefeitura também multam, mas não vinham atualizando o nosso cadastro, informando as penalidades que já transitaram em julgado. Ou seja, o motorista já recorreu e perdeu o recurso. Chamamos o DER e a prefeitura e os cadastros foram atualizados", explicou Horta.   Levantamento concluído ontem pelo órgão, já com as informações do DER e da prefeitura, mostrou que 110 mil motoristas excederam os 20 pontos. A partir de agosto, o Detran passará a abrir 30 mil processos mensais. "Até dezembro, todos esses motoristas terão sido notificados. O Detran não está inerte nem há qualquer tipo de proteção. O governador nos dá total liberdade para punirmos quem quer que seja", afirmou.   Em nota, a assessoria do governador afirma que "é público e notório que o governador faz seus deslocamentos em veículos oficiais. O automóvel citado era, entre janeiro e outubro de 2007, conduzido por mais de um motorista, em sistema de revezamento, para atender à residência do governador".   A assessoria do governador afirma ainda que Cabral "desconhecia, até então, tais fatos e vai solicitar que os motoristas infratores informem ao Detran as suas responsabilidades quanto às irregularidades listadas."   A situação dos candidatos à Prefeitura do Rio também não é diferente: Jandira Feghali (PCdoB) teve 23 pontos em 2007 e Filipe Pereira (PSC) 22 pontos. Paulo Ramos (PDT), Solange Amaral (DEM), Marcelo Crivella (PRB) e Vinícius Cordeiro (PTdoB) também estouraram o limite de pontos, segundo O Dia. (com Clarissa Thomé)

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