Cabral atribiu violência no Rio à ´ocupação desordenada´

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), disse na segunda-feira, 26, que a violência na capital fluminense é resultado da "ocupação desordenada" da cidade. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Cabral defendeu parcerias entre os governos federal e municipal no combate ao crime organizado. De acordo com o governador, o Estado introduziu diversas medidas nesse sentido. Uma delas foi a criação do Gabinete de Gestão Integrada, que conta com a cooperação da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal. "Em São Paulo, após a crise de 2006, esse gabinete foi implementado com grandes resultados", disse Cabral, em referência à série de ataques atribuída à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), no ano passado. Cabral citou também o deslocamento de policiais militares, que passaram a atuar no policiamento ostensivo da cidade, além da despolitização da polícia no Estado. "A polícia do Rio estava muito politizada", argumentou o governador. "Por esse motivo, convidei o delegado da PF José Mariano Beltrame para assumir a Secretaria de Segurança Pública e dei a ele carta branca para escolher os chefes e seus subordinados." Recuperação e milícias O governador afirmou também que, para recuperar jovens criminosos, o governo tem de atuar junto à sociedade civil organizada, promovendo cultura, educação, entretenimento, esporte e lazer. "Eu acredito que podemos ganhar essa guerra", afirmou Cabral. "Não é uma ação só policial, de integração, é também uma operação com entidades que trabalham em comunidades carentes, que têm credibilidade." Cabral comentou ainda o crescimento das milícias - grupos paramilitares que expulsam traficantes e cobram dinheiro dos moradores em troca de proteção - nas favelas do Rio. "A milícia é um controle paralelo, ilegal, que também estabelece suas normas e suas regras", afirmou o governador. "E o Estado ausente permitiu isso." Lula e Pan Cabral não poupou elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, está empenhado na questão do combate à violência no Rio. "Eu tive a oportunidade de sugerir a ele a criação de uma Secretaria Nacional de Segurança Pública", disse o governador. "O presidente se mostrou disposto a entrar nesse assunto com coragem e eu acho que a criação dessa secretaria seria muito importante." Em relação aos Jogos Pan-Americanos, que ocorrerão entre os próximos dias 13 e 29 de julho, Cabral disse que a segurança está garantida. "Eu não tenho a menor dúvida de que a tranqüilidade será garantida", disse. "Nós contaremos com 39 mil homens da Polícia Militar, 11 mil policiais civis e 7 mil integrantes da Força Nacional de Segurança Pública." Reforma ministerial Questionado sobre a indicação do médico sanitarista José Gomes Temporão para o Ministério da Saúde, o governador fez questão de ressaltar que a escolha de um ministro deve privilegiar critérios técnicos. "Temporão é capaz de dar ao Ministério da Saúde uma gestão técnica, que, na minha opinião, é fundamental." De acordo com Cabral, "a influência partidária não deve ser levada em conta nas escolhas de ministros para as áreas de Educação, Saúde e Segurança". "Eu acho que o Ministério da Saúde deve ter um gestor da área da saúde pública", reiterou o governador.

Agencia Estado,

27 Fevereiro 2006 | 09h57

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