Tasso Marcelo/AE-10/8/2011
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Cabral contrata firma cujo diretor é sócio de deputado aliado

Presidente do Legislativo, Paulo Melo constituiu empresa com filho de construtora que vai receber R$ 11,4 milhões

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2011 | 00h00

Além da Delta Construções e de duas empresas doadoras para a campanha à reeleição de Sérgio Cabral (PMDB), o pacote de 18 obras emergenciais celebrado na semana passada pelo governo inclui uma construtora dirigida por um sócio do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Paulo Melo (PMDB) - aliado e homem forte do governador no Legislativo. Por quatro contratos, a Oriente Construção Civil vai receber R$ 11,4 milhões.

Diretor e filho de uma das donas da construtora, o empresário Geraldo André de Miranda Santos formou, em abril, uma outra sociedade em parceria com o deputado estadual. A PMGA Incorporação e Construção Ltda. tem R$ 4,5 milhões de capital social e cotas divididas em partes iguais entre Santos e Melo.

Os quatro contratos da Oriente são para obras na Região dos Lagos, base eleitoral do parlamentar: duas em Saquarema, uma em Maricá e outra em Araruama, onde fica a sede da construtora. Melo é casado com a prefeita de Saquarema, Franciane Motta. Nessa cidade, as intervenções da Oriente vão custar R$ 5,1 milhões ao Estado.

Na composição de capital da PMGA, Melo registrou R$ 1,95 milhão a partir de um terreno em Saquarema. Santos fez o mesmo, mas distribuiu os valores em cinco lotes. Pelo menos um dos terrenos fica próximo às obras.

Como o Estado revelou, as 18 obras com dispensa de licitação somam R$ 96,3 milhões e têm como objetivo concluir a reparação de danos provocados pelas chuvas de janeiro de 2010. A empresa que terá maior faturamento é a Delta Construções, de Fernando Cavendish, amigo de Cabral, com R$ 37,6 milhões.

O pacote de obras foi celebrado dois meses após o acidente na Bahia que tornou pública a amizade entre os dois. A crise política que se seguiu foi em parte estancada com ajuda de Melo. Como presidente da Alerj, cabe a ele encaminhar os pedidos de informações feitos há dois meses pela oposição - o que não ocorreu.

Outro lado. Melo alegou atuar no ramo imobiliário há mais de 15 anos e que a PMGA não vai trabalhar com o poder público. "Não sou governador. Não faço licitação nem assino dispensa no governo do Estado", disse. "Não há conflito de interesses. A cidade cresceu, há uma necessidade imobiliária muito grande e eu tenho que encontrar alguém apto e interessado nesse ramo."

Por nota, o diretor da Oriente e sócio da PMGA explicou que suas atividades não se misturam. "Invisto no ramo imobiliário da Região dos Lagos há 15 anos, assim como o Paulo Melo, com quem me associei para construir casas naquela região."

A Secretaria de Obras informou que as contratações foram precedidas pela apreciação de três propostas e a escolha pelo menor preço. Em nota, o governador disse apenas que "não interfere nos procedimentos das diversas secretarias de Estado".

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