Cabral defende que PM puna cabo que matou João Roberto

Governador, que chegou a chamar PMs de 'débeis mentais', diz discordar da absolvição no caso João Roberto

Wilson Tosta, de O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2008 | 18h53

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) defendeu nesta sexta-feira, 12, que o policial militar William de Paula, absolvido da acusação de homicídio doloso contra o menino João Roberto Amorim Soares , de 3 anos, seja punido pela Polícia Militar, apesar da decisão judicial que o absolveu. Ele declarou esperar que a corporação puna o PM que, ressaltou, cometeu um crime.   Veja também: PM absolvido da morte menino é solto e volta a trabalhar no Rio Se eu fosse o pai estaria revoltado, diz Cabral sobre absolvição Pai de João Roberto diz que ainda acredita na Justiça Decisão dá 'carta branca' para PM matar, diz promotor do Rio Promotor fala que decisão foi desrespeitosa com a sociedade  MP vai recorrer da absolvição de PM no caso João Roberto PM é absolvido no caso João Roberto Todas as notícias sobre o caso         Cabral defendeu a política de segurança pública do seu governo, que, à época do assassinato do garoto, foi criticada, devido ao grande número de confrontos entre policiais e suspeitos, em muitos casos resultando em mortes de supostos criminosos. Em julho, PMs confundiram com um veículo de assaltantes o carro em que estavam ao menino e sua mãe, Alessandra Amorim Soares, e o fuzilaram.   "Ele (William) não serve para ser policial militar, nem para o serviço administrativo", afirmou Cabral, após participar de almoço em homenagem ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). "Não é preparado para ser policial militar." O governador declarou que "houve uma perseguição, houve uma abordagem equivocada, e não houve reação de dentro do veículo." "Então, como é que atira para dentro do veículo sem saber quem está no veículo?", perguntou.   Cabral afirmou ser o primeiro a defender a Polícia "na defesa do cidadão". "Até dizem: o Cabral quer a política do confronto. Não. Confronto quem quer é o bandido que atira no policial quando ele sobe uma comunidade ou em qualquer outra situação. Não foi o caso."   O governador lembrou que não houve reação do carro colocado pelos PMs sob suspeita. "Na verdade, houve dolo (da parte dos policiais)", disse o governador. "Quer dizer, não há como justificar: 'Ah se eu soubesse que era uma criança e sua mãe, não atiraria'. Ora, se fosse um marginal, ele atiraria sem o marginal atirar? Quer dizer, aí é barbárie. Sempre digo à nossa polícia: 'Não vamos tolerar, ao entrar numa comunidade, um bandido atirar, e a nossa polícia se acovardar. Isso não. Mas atirar num automóvel sem saber quem está dentro do automóvel, sem a reação de ninguém de dentro do automóvel... É um crime bárbaro, agravado por ser uma criança." Para Cabral, "é claro" que o réu errou, e a argumentação sua defesa "é frágil".   "Então, a indignação dos pais do menino é a indignação de toda a sociedade. Minha e da sociedade", concluiu o governador.

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