Cabral e Campos ganham destaque na campanha

Dilma usa comitê e coordenador dos governadores reeleitos do Rio e de Pernambuco, que juntos tiveram 8,6 milhões de votos

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2010 | 01h00

No Recife, o comitê que servia ao governador Eduardo Campos (PSB), reeleito com 82,8% dos votos, não foi desativado e está a serviço da candidata do PT, Dilma Rousseff. No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB), reeleito com 66% dos votos, manteve o coordenador de sua campanha, o ex-secretário de governo Wilson Carlos, à disposição da candidatura de Dilma no Estado.

Embora aliados de todos os Estados tenham sido chamados a colaborar no segundo turno, o empenho de Campos e Cabral tem um peso importante na campanha de Dilma por razões não só políticas, mas também matemáticas. Juntos, eles tiveram 8,6 milhões de votos, 2,1 milhões a mais que a votação obtida pela candidata do PT em Pernambuco e no Rio. A expectativa é que o socialista e o peemedebista consigam levar para Dilma boa parte de seus eleitores que, no primeiro turno, optaram por outros candidatos ou votaram nulo.

O presidente do PT do Rio, deputado reeleito Luiz Sérgio, aposta no prestígio de Cabral para levar votos para Dilma, embora o governador, desde a carreata da semana retrasada, não tenha participado de nenhum outro ato público em favor de Dilma. Cabral atraiu 5,2 milhões de eleitores e obteve 1,4 milhão de votos a mais que Dilma, que teve 43,7% do eleitorado fluminense.

A petista estará no Rio amanhã, para receber apoio de artistas e intelectuais, e, no dia seguinte, está previsto um ato público na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em favor da petista. "O governador está ajudando a reunir parlamentares de todos os partidos que apoiam nossa candidata. Cabral está jogando todo seu prestígio na eleição de Dilma", diz Luiz Sérgio.

Outros petistas, no entanto, reclamaram da ausência de Cabral na agenda que não tem a presença da candidata. Também têm se queixado de falta de material impresso e criticado a coordenação da campanha de Dilma, que, segundo eles, tem privilegiado a propaganda de TV e menosprezado as atividades de rua. Há uma preocupação especial com a campanha no interior do Estado, onde integrantes do PT têm observado crescimento da mobilização em torno do candidato do PSDB, José Serra.

Acenos. Apesar do envolvimento de Cabral na campanha de Dilma, os aliados de Serra têm feito acenos, com a promessa de manter a parceira do governo federal com o Estado, no caso de vitória do tucano. "O governador e os prefeitos e todas as nossas cidades, assim como de todo o Brasil, terão nosso apoio e nossa parceria, independentemente a que partido têm a filiação. Vamos apoiar as UPPs, vamos avançar com elas para o interior, a Baixada Fluminense, em parceria com o governo do Estado", disse o candidato a vice na chapa de Serra, Índio da Costa (DEM), a líderes políticos e comunitários.

Cabral, que já foi do PSDB, está empenhado na vitória de Dilma, mas não teria problemas em construir pontes com Serra. Neste caso, o discurso será de que o interesse do Estado vem em primeiro lugar.

Em Pernambuco, a aposta é no prestígio de Eduardo Campos. "A gente já tinha feito uma campanha colada com Dilma no primeiro turno e ela ganhou no nosso Estado. Mas parte dos eleitores optou por outros candidatos. Acredito que as pessoas que demonstraram confiança em Eduardo vão prestar atenção quando o governador pedir e elas perceberem que o que é bom a gente não troca", diz a deputada reeleita Ana Arraes (PSB-PE), mãe do governador e recordista de votos em Pernambuco. Campos teve 3,4 milhões de votos, enquanto Dilma conquistou 2,7 milhões (61,7%) no Estado.

Outros dois governadores que tiveram votações mais expressivas que Dilma também já trabalham pela petista. Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo, teve 1,5 milhão de votos (82,3%), mais que o dobro dos 717 mil de Dilma. O trabalho de Casagrande será focado principalmente na mobilização de prefeitos, vereadores e lideranças das igrejas.

Coordenador da segunda etapa da campanha de Dilma no Rio Grande do Sul, Tarso Genro teve 3,4 milhões de votos, 400 mil a mais que a petista. "Dilma parte de um patamar possível de alcançar que é a minha votação", diz.

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