Cabral e Gabeira em disputa desigual

Governador baseia sua campanha na popularidade das UPPs e UPAs; verde tenta desmontar propaganda oficial e apresentar alternativas

Alfredo Junqueira, Fernando Paulino Neto / RIO, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

Tema preferido das campanhas eleitorais no Rio nas últimas décadas, a segurança pública tornou-se principal plataforma do governador e candidato à reeleição, Sérgio Cabral Filho (PMDB), graças à implantação de 10 UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), que livraram 29 comunidades do domínio do crime organizado. Pela primeira vez, a violência não é utilizada de forma ostensiva pela oposição. O principal adversário de Cabral, o deputado Fernando Gabeira (PV), faz críticas ao processo de implantação, mas reconhece sua importância.

Apoiado por 16 partidos, 91 dos 92 prefeitos, pelo presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff, o governador tem campanha mais estruturada e lidera nas pesquisas com ampla margem. Gabeira, sem apoio das máquinas administrativas, à frente de uma coligação fragmentada e com apoio de José Serra e Marina Silva, reconhece que ainda não deslanchou, mas defende a importância de uma voz de oposição na campanha. Pela pesquisa Ibope divulgada na sexta-feira, Cabral tem 57% das intenções de voto, contra 14% de Gabeira.  

 

 

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Além das UPPs, o governador também levanta como bandeira de sua campanha as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), projeto encampado pelo governo federal e que integra o programa de governo de Dilma. Gabeira ironiza a intenção da petista e diz que ela só as agregou à campanha porque "os marqueteiros falaram para ela encampar". Para ele, o sucesso das iniciativas se justifica pelos investimentos em propaganda do governo do Rio.

Recuperando-se de uma cirurgia no joelho e andando auxiliado por uma muleta, Cabral reduziu fortemente o ritmo de campanha. Gabeira, por outro lado, procura andar em favelas ainda sob o domínio do tráfico e mostrar hospitais estaduais em crise.

Apesar das divergências, os dois candidatos têm um ponto em comum: polêmica envolvendo suas mulheres. A primeira-dama Adriana Ancelmo é advogada de empresas concessionárias do serviço público, como o metrô e os trens do Rio. "A atividade profissional de minha mulher não conflita em nada com os princípios éticos", alega Cabral. Já a jornalista Neila Tavares teve serviços de sua empresa de informática pagos com a verba indenizatória do gabinete de Gabeira. "Ela não era minha esposa quando a contratei", argumenta o verde.

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