Cabral fala em ''atrocidade'' e vê ação de ''marginais''

Secretário diz que episódio comprova que o Exército não está preparado para atuar nas ruas e favelas

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

O governador Sérgio Cabral (PMDB) chamou os militares envolvidos na morte de três jovens no Morro da Providência de "marginais" e classificou o crime de "atrocidade". Já o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou ontem que o episódio comprova que o Exército não está preparado para atuar nas ruas do Rio. "Se a Polícia Militar, que vive esse problema diuturnamente há 200 anos, tem suas mazelas, uma corporação que começou a fazer isso há pouco tempo já incorrer num problema desses é uma demonstração disso", afirmou Beltrame. "É, no mínimo, um momento de retomar uma série de conceitos, rever muitas coisas."Para o secretário, a solução para a redução da criminalidade está no fortalecimento das polícias e não no emprego das Forças Armadas como uma solução milagrosa. Para ele, a melhor contribuição do Exército seria o fornecimento de equipamentos, não de soldados. "A preparação dos soldados do Exército pode até ser maior do que a da PM, mas a da PM é específica para a ostensividade. Um soldado do Exército não tem um compromisso com a comunidade. Existe uma diferença muito grande. Nós precisamos de logística, de equipamentos. Ninguém melhor do que as Polícias Civil e Militar para lidar com os problemas costumeiros que nós temos aqui."Beltrame sempre resistiu ao emprego das Forças Armadas no patrulhamento ostensivo, mesmo quando essa hipótese chegou a ser levada pelo governador do Rio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sérgio Cabral tomou posse em 2007, em meio a uma onda de ataques de traficantes, pedindo as Forças Armadas nas ruas.Ontem, o governador elogiou o trabalho da Polícia Civil, que investigou o crime. "A polícia atuou com firmeza no caso desses 11 marginais que não honram a farda do Exército", disse Cabral, que está em viagem oficial à Alemanha. Ele disse esperar que o caso seja acompanhado por Lula e pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. O governador ressaltou que o comportamento dos militares presos não condiz com a reputação do Exército, "uma instituição que merece todo o apreço do povo".

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