Tasso Marcelo/AE
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Cabral já 'cobra' acordo dos royalties do pré-sal

Governador do Rio diz confiar que Dilma sustentará a divisão negociada com o [br]presidente Lula

Gabriela Moreira / RIO, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2010 | 00h00

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), reiterou ontem ter certeza de que a presidente eleita, Dilma Rousseff, manterá o acordo sobre a divisão de royalties do pré-sal, firmado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta defendida por Cabral veta a distribuição igualitária para todos - incluída nos projetos de lei do pré-sal pela emenda Ibsen - e defende o privilégio aos produtores.

"Vamos ter de ter uma solução específica para recompor o acordo. Não é apenas vetar (a lei, se aprovada com a divisão igualitária). Se vetar, voltamos ao porcentual atual e o porcentual com o modelo de partilha não é bom para o Rio", disse o governador. "A partilha é um assunto superado. Já entendíamos que viria. A nossa luta é a perda da participação especial que nós teremos com a aprovação da partilha. Lutamos para que o porcentual do Rio saísse do atual para um maior, em royalties, para compensar a participação especial", explicou Cabral.

Ontem, o vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT), que conduzirá as votações no lugar de Michel Temer (PMDB), vice de Dilma, disse não saber se a discussão do pré-sal será retomada ainda este ano

Postura. Cabral defendeu ainda uma mudança de postura de seu partido no governo petista. Em discurso durante inauguração da estação Cidade Nova do metrô, ele afirmou que o PMDB não será um "partido de coação", mas de apoio. "O PMDB tem de se notabilizar a partir de agora como um partido que discute políticas públicas e não cargos. A partir de políticas públicas é que nós podemos construir um governo de coalizão e não a partir de nomes", disse Cabral. "Temos de dar liberdade à presidente Dilma para governar esse País. Respeitando a coalizão, mas com liberdade de escolha."

Segundo o governador, este é o posicionamento da maioria dos integrantes do partido, entre eles, Michel Temer. "Eu tenho certeza que, com o Michel e os companheiros que pensam dessa maneira, que são a maioria, nós vamos construir uma política pública diferenciada."

Negando que o PMDB fluminense vá negociar cargos no novo governo, Cabral, por outro lado, ressaltou a importância do Rio na eleição da petista.

"Quando, na história desse País, numa campanha presidencial teve um candidato dando exemplos positivos do Rio? O Rio foi citado na UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24 horas, na conquista da Olimpíada. Isso é um fenômeno novo", discursou esbanjando otimismo.

Câmara. Enquanto não assume o posto de vice no governo Dilma, Michel Temer não vai renunciar à presidência da Câmara. Se dedicará à transição do governo e deixará o dia a dia do Congresso com Marco Maia. Ao mesmo tempo que conduzirá a retomada dos trabalhos legislativos,

Maia tentará consolidar seu nome dentro do PT como candidato à sucessão de Temer no biênio 2011-2012.

Outros dois petistas estão na disputa: o líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP), e o ex-presidente Arlindo Chinaglia (SP). O PMDB também insiste em ficar com o cargo, mesmo tendo eleito uma bancada menor que o PT. Em 3 de outubro, foram eleitos 88 deputados petistas e 79 peemedebistas.

"Vou dar início à minha campanha (para presidente da Câmara). Temos duas etapas: primeiro, decidir com os aliados se o PT presidirá nos dois primeiros ou dois últimos anos da legislatura. Entendo que devemos presidir nos próximos dois anos. Depois, iniciaremos o debate interno no partido", disse Maia.

Os três possíveis candidatos à sucessão de Temer representam correntes diferentes no PT. O PMDB tem um nome único para disputar a presidência da Câmara, o atual líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN).

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