Cabral: operação será de longo prazo e denúncias serão apuradas com rigidez

Para o governador do Rio, acusações de abuso são 'exceção à regra' e policiais 'são verdadeiros heróis, dando tudo de si para enfrentar 30 anos de abandono'

Marina Guimarães, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2010 | 15h32

BUENOS AIRES - A operação no Complexo do Alemão, no Rio, será de longo prazo, apesar das denúncias de supostos abusos e irregularidades cometidas pelos policiais, disse hoje, em Buenos Aires, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB). "A violência degradou o Rio de Janeiro de maneira absurda. O que nós estamos fazendo é a recuperação de território para a cidadania. Os depoimentos que eu recebo das comunidades pacificadas, me emocionam e me entusiasmam a continuar essa política", afirmou em entrevista a jornalistas brasileiros.

 

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Cabral Filho também avisou que haverá rigidez na apuração das denúncias. "Posso garantir à população que temos um secretário de Segurança, uma corregedoria e um comandante da PM que não têm nenhum tipo de pacto, seja ele qual for. Eles não passam a mão na cabeça de maus policiais", afirmou. Para ele, o caso das acusações no Alemão "é uma exceção da regra" porque os policiais que ocuparam o complexo "são verdadeiros heróis, dando tudo de si para enfrentar 30 anos de abandono".

 

"Não adianta a gente ficar lucubrando se há pessoas interessadas em criar factoides. Temos de apurar tudo: se há má intenção para tentar desmoralizar a operação ou se há má conduta mesmo. Se é por má conduta, o responsável será punido, e aquele que usou má fé será apurado e responderá à denúncia", afirmou. Cabral disse que o trabalho das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) é impulsionado por resultados positivos refletidos em números e depoimentos.

 

Cabral ressaltou a melhora nos índices de criminalidade e de qualidade de vida das comunidades "da Cidade de Deus, Babilônia, Chapéu Mangueira, Tabajara, Morro da Providência, de todo o complexo da Tijuca, do Morel, do Salgueiro, Angarai, Turano, e agora no Morro do Macaco".

 

O governador argumentou que a população do Complexo do Alemão e do Rio, como um todo, confiam em sua gestão e que isso ficou provado pela reeleição com 67% dos votos. "Esse processo que acontece no Alemão é a síntese da concepção de nossa gestão que é integrar para acontecer", destacou. Segundo ele, a ocupação no Alemão poderia terminar antes de outubro. "Dissemos que vai até outubro por precaução sobre os tempos que o processo leva, mas pode ser concluído antes", disse.

 

O modelo das UPPs, segundo Cabral, poderia ser copiado pelo governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli. "Ele está entusiasmado com o projeto. Somos amigos e temos uma filosofia titânica: eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder", disse Cabral.

 

Sobre o déficit de 3,5 mil vagas nas carceragens do Rio, o governador disse que o governo está em um processo de política de metas de redução de uma série de índices na área de segurança pública. Parte destas metas é a de que o Rio seja o primeiro Estado a não ter mais cárceres em delegacias, onde ficam condenados pela Justiça. "Queremos ter todas as pessoas em cadeias públicas e em presídios, quando condenados. Por isso, vamos inaugurar mais duas cadeias públicas, tirando mais de mil presos temporários das delegacias", explicou. 

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