Cabral usa pedido de ajuda para se diferenciar dos Garotinho

O novo governador fluminense, Sérgio Cabral Filho (PMDB), começou ainda fora do poder a articular a ajuda federal para enfrentar as facções criminosas. Foi na quinta-feira passada, quando bandidos atacavam civis e policiais, e a então governadora, Rosinha Garotinho (PMDB), negava precisar de auxílio para contê-los. Depois de conversar com o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, sobre o problema, Cabral Filho, em seminário fechado no Tribunal de Contas do Estado (TCE), avisou a auxiliares que chamaria a União. Depois que Rosinha anunciou que não recorreria a Brasília, o governador afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que teria postura inversa. Na segunda-feira, fez o anúncio do pedido de ajuda, na posse presidencial.Com o pedido de ajuda a Lula, Cabral Filho, de acordo com colaboradores, tentou ocupar o "vácuo" deixado por Rosinha, que demorou a se pronunciar sobre o caso - só o fez na tarde de quinta-feira - e também para marcar o fim da política de segurança anterior, caracterizada pelo isolamento em relação à esfera federal. O próprio governo Lula também, de certa forma, estimulou a cooperação: o secretário nacional de segurança pública, Luiz Fernando Corrêa, telefonou para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que recebeu no Rio a visita do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. Os dois se reuniram com o secretário de Segurança do governo Rosinha, Roberto Precioso.Pedido de ajudaO pedido de ajuda foi mais um gesto do governador para tentar se descolar de Rosinha e do marido, Anthony Garotinho (PMDB). Nos últimos anos, em crises semelhantes, os dois, em oposição a Lula, resistiram a pedir ajuda. Em uma das crises, chegaram a dizer que aceitavam o socorro, mas exigiram o comando da operação. A proposta foi considerada pelo governo Lula como feita, propositalmente, para não ser aceita. No início do governo Rosinha, contudo, o Exército, a pedido da governadora, participou do patrulhamento no Carnaval, a pedido dela, recém-empossada."Sérgio disse que, se precisasse,pediria a ajuda", contou ao Estado, sob anonimato, um secretário estadual que estava na reunião no TCE, onde estavam futuros assessores, secretário e políticos. Outro participante do encontro também confirmou que Cabral disse que pediria auxílio à União.Nas solenidades de posse e transmissão de cargo, no domingo, Cabral Filho continuou com a coreografia de diferenciação em relação ao casal. Homenagem às vítimasNa cerimônia na Assembléia Legislativa, na qual foi empossado, pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos ataques e prometeu revidar as ações dos "facínoras". Depois, no Palácio Guanabara, voltou a dizer que enfrentaria os criminosos e prometeu que não colocaria seus interesses políticos acima dos do Estado, o que, segundo ele, tem feito "mal" ao Rio de Janeiro - uma referência quase explícita ao casal e à sua guerra ao governo Lula.Nesta terça-feira, na cerimônia de transmissão da chefia da Polícia Civil, Cabral disse que uma polícia técnica, sem ingerências políticas e voltou a demarcar mudanças na política de segurança em relação ao governo anterior. Sem citar diretamente Rosinha e Garotinho, que ocupou a secretaria de segurança no governo da mulher, Cabral disse que "o governador tem que entender que a segurança pública tem que estar desconectada da política".Ele prometeu valorizar o mérito na promoção de policiais e contou que só conheceu o chefe de Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, e o comandante da PM, coronel Ubiratan Ângelo, no dia em que os apresentou à imprensa."Não constará no currículo de qualquer servidor da segurança pública quantos políticos ele tem como amigos", prometeu, arrancando aplausos da platéia de delegados.

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