Caças procuraram intimidar o piloto

Apesar de lei do abate, há indefinição sobre quem responderia pelo ato

Tânia Monteiro e Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Desde o momento que a Força Aérea Brasileira acionou o Mirage e o Tucano para seguir o avião roubado em Luziânia, a intenção era apenas intimidar o piloto e persuadi-lo a colocar o avião no solo. Apesar de o Brasil dispor da chamada lei do abate, em vigor desde outubro de 2004, militares consultados pelo Estado alegam que, dificilmente, alguém determinaria ou até mesmo cumpriria uma ordem de derrubar uma aeronave, ainda que roubada, que transportava uma criança de 5 anos sequestrada.Esse episódio acabou reacendendo a polêmica sobre a necessidade de se dar respaldo jurídico ao piloto que teria de responder judicialmente por esse tipo de ato. Para oficiais, o fato de ter uma criança a bordo descartou qualquer possibilidade de o avião ser abatido, principalmente por causa da falta de uma definição da responsabilização penal sobre o ato, uma vez que as críticas seriam inúmeras e de repercussão internacional. O avião, teoricamente, só seria abatido se ele, em vez de rumar para Goiânia, tivesse se dirigido para Brasília, seguindo determinação do Comando da Aeronáutica. O monomotor com Silva foi monitorado desde o sequestro até a queda pelos radares do Cindacta-1 e acompanhado por caças da FAB.Silva por muito pouco não invadiu o espaço aéreo mais sensível do País, o do Distrito Federal. A defesa desse bloco é feita pelo 1º Grupo de Defesa Aérea, o GDA, da base de Anápolis, com os supersônicos Mirage 2000C, franceses. Ali, a rotina é tensa. Em um hangar na cabeceira da pista há sempre um caça abastecido, armado e pronto para decolar em no máximo três minutos. O piloto permanece em um alojamento, distante não mais de 10 metros, vestido com o macacão de voo. Quando soa a sirene, o oficial dispara em direção ao avião. A missão só é conhecida quando ele estiver em procedimento de subida.Na quinta feira foi assim. O homem a bordo do Mirage - um dos 12 do 1ºGDA - com certeza levando um ou dois mísseis e canhão de 30 milímetros, recebeu as coordenadas e os dados referentes ao procedimento errático do monomotor. Muito rapidamente foi informado do roubo da aeronave. De rotina, tentou contato com o piloto. A essa altura já estava secundado pelo T-27 Tucano, armado com metralhadoras. A prioridade era impedir que se lançasse o Tupi contra um prédio ou, pior, se tomasse a direção da capital.

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