Cacciola chega ao Brasil e nega que tenha fugido

Depois de 10 meses preso noprincipado de Mônaco, o ex-banqueiro Salvatore Caccioladesembarcou na madrugada desta quinta-feira no Rio e negou quetenha fugido do país, onde foi condenado a mais de 10 anos deprisão por crimes financeiros. "Nunca fui um foragido. Fui para a Itália com passaporte.Saí do Brasil com passaporte e livre", afirmou o ex-banqueiroao chegar à sede da superintendência da Polícia Federal, paraonde foi levado depois de desembarcar, por volta das 4h30, noaeroporto internacional do Rio. Um carro da PF aguardava o ex-banqueiro na pista doaeroporto, evitando assim que Cacciola fosse abordado pelosjornalistas que faziam plantão no saguão do aeroporto. Segundo a estudante Heloisa Helena de Almeida, que estavano mesmo vôo, o ex-banqueiro aparentava tranquilidade. "Ele não estava algemado, estava acompanhado de algunsagentes e muito tranquilo, com cara de férias", disse. Cacciola veio da Europa acompanhado por oito agentes da PFe pelo procurador da República Arthur Gueiros, informou oadvogado do ex-banqueiro, Carlos Eli Eluf. O advogado disse que espera conseguir um habeas corpus paraseu cliente dentro de 15 dias. "A prisão preventiva de 81 dias já expirou e há outraspessoas no caso que estão em liberdade", disse Eluf. "Ele nãofugiu. Ele tinha um habeas corpus que o permitia sair do paíspela fronteira", acrescentou. "RISCO SISTÊMICO" Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão pela Justiçabrasileira por crimes financeiros. Ele deixou o país em 2000,logo após conseguir um habeas corpus no Supremo TribunalFederal (STF), concedido pelo então presidente da corte,ministro Marco Aurélio Mello. Depois que o habeas corpus foi revogado, Cacciola, que jáestava na Itália, "decidiu" não voltar ao país, como afirmounesta quinta-feira. O ex-banqueiro foi preso em Mônaco em setembro do anopassado. O escândalo envolvendo Cacciola ocorreu em 1999, durante oprocesso de desvalorização do real, quando o Banco Centralsocorreu os bancos Marka e FonteCidam, com 1,6 bilhão de reais. O BC justificou na época a ajuda às duas instituições comouma medida para evitar um possível risco sistêmico para omercado financeiro do país. O ex-banqueiro disse estar tranquilo e insistiu que confiana Justiça brasileira. "Estou voltando preso, mas é bom lembrarque outras pessoas que foram condenadas comigo neste processoestão trabalhando e livres, ganhando o seu dinheiro", afirmou. "Não estava fazendo nada diferente do que eles estãofazendo aqui. Respondo todos os processos e estou sempre àdisposição da Justiça. A diferença é que eu estava na Itália",acrescentou. Cacciola irá para o presídio de Ary Franco, na zona nortedo Rio, onde passará por uma triagem e segue depois para opresídio de Bangu 8, segundo informou seu advogado.

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