Cadeia de São Bernardo do Campo é interditada

A Cadeia Pública de São Bernardo do Campo foi interditada hoje pelo desembargador Luís de Macedo, corregedor Geral da Justiça. A decisão apóia-se em laudos técnicos, que atestam falta de segurança e salubridade, acrescido ao fato de que as estruturas do prédio estão abaladas, em decorrência da rede de túneis abertos para fuga, que recortam o subsolo.O pedido de interdição foi formulado pelos juízes de São Bernardo do Campo, com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local. O pedido foi reforçado por uma comissão liderada pelo vice-presidente da OAB de São Bernardo, Uriel Carlos Aleixo e pelo deputado Wagner Lino (PT). Eles entregaram ao corregedor-geral laudos que recomendam a interdição da cadeia, face a impossibilidade de solução a curto prazo do problema por parte das autoridades penitenciárias.O deputado Wagner Lino disse que a cadeia abriga atualmente 449 presos, o que dá a cada um espaço médio de 52 centimetros quadrados, embora o local tenha sido projetado para 108 pessoas. A população carcerária comprimi-se em 18 celas.A remoção e redistribuição dos 449 presos será coordenada pelo juiz da Execuções Criminais de São Bernardo do Campo, Geraldo Lanfredi. A operação deverá ser consumada o mais rapidamente possível. Laudos do Instituto de Criminalistica, da Prefeitura, Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária atestam que o prédio não é adequado para o fim a que está destinado. O laudo do Instituto de Criminalística recomenda a demolição total do imóvel. Relata obstrução da rede de esgoto interno, que provoca o retorno dos detritos e torna o local inabitável. A rede elétrica original não mais existe. A fiação está exposta, com risco aos presos e funcionários. A inspeção sanitária aponta superpopulação, 300% além do máximo permitido. Por falta de espaço os presos para dormirem deitados têm de se revezar, ou se amarrarem às grades. A superpopulação dissemina doenças infecto-contagiosas, entre as quais Aids e tuberculose. As rupturas dos esgotos traz o perigo de febre tifóide, cólera e hepatite. As caixas d?água não têm manutenção e estão contaminadas por ratos, aves e morcegos caídos em seu Interior. O Corpo de Bombeiros constatou ainda a falta de bomba de incêndio, má conservação das mangueiras e fios elétricos desencapados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.