Cadeia de Vila Branca será desativada em 10 dias

A Cadeia Pública de Vila Branca, de Ribeirão Preto, terá dez dias para ser esvaziada e desativada. Essa foi a decisão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que visitou a região hoje, fazendo campanha para a sua reeleição. Os presos provisórios serão removidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade e os já condenados para penitenciárias da região. Vila Branca será reformada e transformada em presídio feminino, seguindo o projeto original que deveria ser tomado há cerca de dois anos, e passará para a pasta da Administração Penitenciária - ainda é da Secretaria de Segurança Pública.A situação da Cadeia de Vila Branca ficou caótica com a divulgação, no início da semana, de conversas telefônicas grampeadas com autorização judicial. As conversas citavam que presos estariam encomendando drogas e até pizza por telefone celular nos últimos meses. O delegado-assistente Marcelo Velludo Garcia Lima e o carcereiro José Francisco Massola foram afastados de seus cargos pelo governador. A cadeia tem capacidade para 198 presos, mas já teve mais de 600. Com a inauguração da nova unidade no município em 1999, ela comporta 258 presos.Alckmin acrescentou que a Via Rápida, criada pelo governo, visa punir o policial que tenha qualquer tipo de conivência com bandidos. A Via Rápida, com duas leis - uma modifica a lei orgânica da Polícia Civil e outra muda o regime disciplinar da Polícia Militar -, será um instrumento para decisões providenciais. Pelos trâmites normais, com os vários recursos possíveis, o Estado demora de um a dois anos para demitir um mau policial.Outra escuta telefônica realizada durante cerca de 20 dias - e que resultou em seis fitas cassetes gravadas -, com autorização judicial, possibilitou à polícia de Bebedouro prender o traficante Gilberto da Silva, de 26 anos, em sua casa, ontem à noite, em Olímpia. Ele, a mãe e outros dois homens foram detidos em flagrante com um quilo de drogas (cocaína e crack) e sete armas (revólver, pistolas e carabina). Foram apreendidos ainda R$ 15 mil em dinheiro e cheques e três carros.Numa das conversas do traficante Silva, um preso negociava a compra de arma (revólver ou pistola), ligando de um telefone público (orelhão) em frente ao presídio. O promotor de Bebedouro, Marcus Alves Nicolino, quer identificar qual a unidade que tem um orelhão e um hospital próximos, citados na conversa telefônica. Também será investigado se o preso era liberado para fazer ligações telefônicas no orelhão. O governador Alckmin não conhecia os detalhes dessa operação, mas disse: "Se pegar policial envolvido, pune, para isso tem a corregedoria."

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