Cadeias do Pará vão passar por varredura contra abuso

Trabalho será feito por grupo criado para acompanhar o caso de L., que foi presa em cela com 20 homens

Carlos Mendes, do Estadão,

25 de novembro de 2007 | 17h05

As cadeias de todos 143 municípios do Pará passarão por uma varredura para identificar novos casos de abuso sexual contra mulheres. Onde houver denúncia comprovada, o responsável será afastado do cargo, submetido a inquérito administrativo e poderá ser demitido do serviço público. A determinação é da governadora Ana Júlia Carepa, que cobrará agilidade no trabalho, previsto para começar nesta segunda-feira. Menina violentada em cadeia e pai já saíram do PAMiséria e prostituição na trilha de L., 15 anos O levantamento será feito pelo grupo interministerial criado para acompanhar o caso da menina L., de 15 anos, que durante 24 dias ficou sozinha numa cela do município de Abaetetuba com vinte homens. Há possibilidade desse trabalho ser ampliado com a participação de entidades ligadas a defesa da mulher e ativistas dos direitos humanos. A garota L. foi estuprada, torturada com ponta de cigarro acesso pelos presos e obrigada a fazer sexo em troca de comida. "Vamos apurar tudo e percorrer todos os lugares. Esperamos ter fôlego e pernas para acompanhar", resumiu uma das coordenadoras do grupo, Bete Pereira, que desembarcou no sábado em Belém. O caso de uma mulher que ficou 45 dias dias presa com 70 homens na cadeia de Parauapebas, no sudeste do Estado, além de outro, na Ilha do Marajó, serão os primeiros investigados. Onde houver presa em lugar ocupado por homem, ela será imediatamente transferida para Belém. A governadora disse que haverá "abrigos decentes" para hospedar as mulheres que forem encontradas em situação degradante nas delegacias. Pereira informou que os presos que dividiam a cela com L., em Abaetetuba, serão ouvidos em depoimento e processados pelo crime de abuso sexual, independente do crime pelo qual foram parar na cadeia. Os quatro delegados afastados de Abaetetuba deverão prestar depoimento na Corregedoria da Polícia Civil na manhã de terça-feira,27. O inquérito será acompanhado por uma comissão formada pelas secretarias de Justiça e da Mulher, Fórum Nacional de Mulheres, Movimento das Mulheres do Campo e da Cidade, e Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Pará.

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