Cadeias não têm mais vagas para receber presos

"Para arrumar lugar pra preso precisa ficar pedindo favor, como se fosse um grande favor manter um criminoso detido". É com este desabafo que o delegado Djahy Tucci, da seccional de São José dos Campos - a maior cidade do Vale do Paraíba - define a situação das cadeias e Centros de Detenção Provisória (CDPs) da região. No local, não há mais vagas para novos presos. "Parar de prender não podemos, mas até que seria justificável." Os dois CDPs, de São José dos Campos e Taubaté, não recebem mais ninguém há 40 dias, desde os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), em 13 de maio. A cadeia de Jacareí - considerado lugar de triagem, onde os detentos só ficariam por curtos períodos - está com 111 presos. Sua capacidade é para 30. Por ordem judicial, também está interditada. "Aos poucos estamos conseguindo algumas transferências para presídios, mas não é fácil", disse o delegado assistente da seccional, Talis Prado Pinto. Em quatro celas misturam-se traficantes, menores, presos administrativos e homicidas. Delegacias Com as cadeias lotadas, as delegacias também se transformaram em unidades prisionais. "Na delegacia participativa ficam os presos administrativos e no terceiro distrito, os que cometeram outros crimes. Não podemos deixar de prender", lamenta Tucci. Na manhã de sábado, três homens estavam em uma cela provisória do 3º Distrito Policial, onde a lei manda que se mantenha o preso por 24 horas. Sentados no chão, um deles é o comerciante Antonio Moreira, condenado por tráfico, que está na cela há dez dias, em condições mais que improvisadas. Não há banho, nem banho de sol, nem cama. A comida é levada pelos funcionários da delegacia e por familiares. Dormem sobre um cobertor, no chão.Em Lorena, os presos mesmo tomaram uma decisão contra a superlotação. Amarraram com roupas e lençóis as trancas das quatro celas para que nenhum outro preso entre no local, onde se espremem 114 para uma capacidade de 28 detentos. Em São Sebastião, no Litoral Norte, a Justiça determinou, nesta semana, o esvaziamento completo das celas em um mês. São 274 homens onde cabem 60. As conseqüências da falta de transferência e de lugar pra acomodar os presos estão chegando até às cadeias femininas. Em Ubatuba, onde estão cerca de 70 mulheres, a superlotação não impede a chegada de mais gente, só que homens. "Já são sete homens em uma celinha improvisada", confessam os funcionários, indignados com a situação. "O Estado precisa tomar uma posição urgente, ou a polícia não prende mais", desabafam, sem permitir a revelação de seus nomes. A Secretaria de Segurança Pública informou que tem feitos inúmeros pedidos por vagas em presídios para a Secretaria de Administração Penitenciária, para as transferências dos presos condenados que estão em cadeias.

Agencia Estado,

24 de junho de 2006 | 13h57

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.