Vicenzo Pinto/AFP
Vicenzo Pinto/AFP

Cães vão para o céu, diz papa a menino que perdeu cachorro

Declaração de Francisco acende debate sobre animais terem alma ou vida após a morte; pesquisa mostra que ele é popular no mundo

O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2014 | 10h25

NOVA YORK - O papa Francisco já tinha dado esperança a gays, divorciados e defensores da Teoria do Big Bang. Agora ele ganhou a simpatia dos amantes dos cachorros, dos ativistas dos direitos humanos e dos veganos.

Ao consolar um menino que estava triste pelo morte de seu cão, Francisco disse, em uma recente aparição pública na Praça de São Pedro, que o "paraíso está aberto a todas as criaturas de Deus."

Não está claro se as declarações do papa ajudaram a acalmar a criança, mas foram bem recebidas por grupos como a organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta, na sigla em inglês) e a Humane Society, que as viram como um repúdio à teologia católica conservadora que diz que os animais não podem ir ao céu por não terem alma.

"Minha caixa de entrada ficou cheia", disse Christine Gutleben, diretora-sênior da Humane Society, maior grupo de proteção animal dos Estados Unidos. "Quase imediatamente, todo mundo estava falando sobre isso."

O escritor e professor de Ética Cristã na Universidade Fordham, Charles Camosy, afirmou que é difícil saber exatamente o que Francisco quis dizer, uma vez que ele falou "em linguagem pastoral, que não é feita para ser dissecada por acadêmicos". 

Porém, perguntado se as observações tinha causado um novo debate sobre a existência de alma nos animais e o fato de eles sofrerem e irem para o céu, Camosy respondeu em uma palavra: "Absolutamente".

Em seu relativamente curto mandato como líder de 1 bilhão de católicos no mundo, desde que assumiu após a saída de Bento XVI, em 2013,  Francisco tem causado um rebuliço repetidamente entre os setores conservadores da Igreja Católica. Ele sugeriu posições mais brandas do que seu antecessor em questões como homossexualidade, mães solteiras, casais não casados e evolução.

Assim, de certa forma, não foi uma surpresa o argentino - um jesuíta que traz o seu nome papal de São Francisco de Assis, o santo padroeiro dos animais - sugerir a uma criança triste que o seu animal de estimação tenha um lugar após a morte.

Citando passagens bíblicas que afirmam que os animais não só vão para o céu, como também se dão bem uns com os outros quando chegam lá, Francisco foi citado pela imprensa italiana por ter dito: "Um dia, vamos rever nossos animais, na eternidade de Cristo. O paraíso é aberto a todas as criaturas de Deus".

Teólogos, no entanto, advertiram que ele falou casualmente e que não fez uma declaração doutrinária.

Popularidade. Um estudo do instituto norte-americano Pew Research Center divulgado nesta quinta-feira, 11, mostra que o papa tem uma imagem positiva em grande parte do mundo, sendo popular na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.

Na Europa, 84% dos entrevistadas responderam ser favoráveis ao líder da Igreja Católica. Nos Estados Unidos, esse índice é de 78%, enquanto na América Latina, onde está a Argentina, seu país natal, é de 72%.

Já na África e na Ásia, os entrevistados são mais indiferentes ao papa. Enquanto no continente africano, 44% dos entrevistados o avaliam positivamente e 40% não emitiram opinião, na Ásia, os porcentuais são de 41% e 45%, respectivamente.

A pesquisa foi realizada no inverno 2013/2014 em nove países da América Latina, onde foram interrogadas 14.564 pessoas, e na primavera de 2014 em outros 34 países, com 36.430 entrevistados./AFP E THE NEW YORK TIMES

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