Cai assessor da campanha de Dilma

Foi Lanzetta que, em nome do PT, teve encontro com arapongas ligados aos serviços secretos oficiais com objetivo de produzir dossiês

Leonencio Nossa e Fábio Granes, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2010 | 00h00

O jornalista e consultor Luiz Lanzetta se desligou da campanha de Dilma Rousseff à Presidência. O Estado mostrou ontem que Lanzetta, dono da empresa Lanza Comunicação, teve encontro, em nome do PT, com arapongas ligados aos serviços secretos oficiais com a finalidade de produzir dossiês contra rivais nas eleições, em especial o tucano José Serra.

Em entrevista na sexta-feira ao Estado, Lanzetta confirmou o encontro com os espiões. Ontem, ele disse que não aceitou a proposta para produzir material contra os tucanos.

"Ele me fez uma proposta, eu não aceitei. Nunca mais vi o cara", afirmou o consultor, referindo-se ao sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. O Estado revelou que o espião tem passe valorizado em épocas eleitorais, integrou vários escândalos políticos e esteve na polêmica Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. "Não existe contrato de serviço", completou Lanzetta. "Não existem dossiês."

O consultor disse que a decisão de sair da campanha foi dele mesmo. "Fora da campanha, estou livre para me defender."

A jornalista Helena Chagas, coordenadora do comitê de imprensa de Dilma Rousseff, disse que por volta do meio-dia de ontem foi informada pela direção do PT de que o consultor havia se desligado da campanha.

Lanzetta disse que os últimos 40 dias de trabalho no comitê petista foram "estranhos". Questionado sobre as disputas internas na campanha, ele se limitou a dizer que "achava que estava tudo normal, mas não estava". "Tudo foi estranho, a própria reunião (com arapongas); era uma suspeita atrás da outra."

Dutra. A estratégia petista ontem foi isolar a crise na figura de Lanzetta, apontado como articulador de uma central de dossiês no comitê de Dilma. À tarde, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que o jornalista não tem "nenhuma relação" com a campanha de Dilma nem autorização ou recomendação de seu comando para tratar de contratação de arapongas e da fabricação de dossiês contra adversários políticos.

Dutra evitou defender o consultor. "Cada um é responsável por seus atos. Esse assunto nunca foi discutido conosco. Não existe subordinação dele (Lanzetta) com a campanha", afirmou o presidente do PT. "A empresa dele foi contratada para alocação de mão de obra, de jornalistas. Se ele agiu sozinho, não há nada que a gente possa fazer."

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