Cai poluição na Rodrigo de Freitas

Investimento de R$ 50 mi, segundo a Companhia Estadual de Água e Esgoto, melhorou qualidade da lagoa

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

25 Agosto 2009 | 00h00

O pescador Válter Marins, de 62 anos, guarda a foto para "provar" que já pegou robalo de 13 quilos na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio. Isso foi há 20 anos. Hoje, a situação da Colônia de Pescadores ZR-13 "está pior do que triste", diz Marins, que herdou o ponto do pai e do avô. "Ultimamente, só peguei tilápia, de menor valor, para sobreviver", conta. Dos 32 pescadores cadastrados, só "4 ou 5" aparecem para trabalhar. Eles tiravam até 30 toneladas de peixe por mês antes da primeira grande mortandade da década, em 2000. Agora, comemoram quando passa de uma tonelada. Apesar da falta de peixe, há uma boa notícia para a lagoa. Análise do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mostra que o número de coliformes fecais chegou a 250 por 100 mililitros de água em julho. Há 3 anos, eram 16 mil coliformes por 100 mililitros. A bióloga Fátima Soares, gerente de Qualidade Ambiental do Inea, acredita que, com a chuva das últimas semanas, o índice deve ter chegado perto de mil, ainda abaixo do padrão exigido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para considerar a água própria para banho - a qualidade da água é considerada satisfatória quando em 80% da amostra houver no máximo 1 mil coliformes fecais por 100 mililitros. O presidente da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), Wagner Victer, que já fala em um eventual "mergulho" na lagoa, atribui o resultado a investimentos de cerca de R$ 50 milhões. "Em 2006, quando eu falava que ia limpar a lagoa, diziam que eu era lunático. Fizemos um cinturão de coleta de esgoto e fechamos mais de 300 ligações clandestinas", diz ele. "Refizemos integralmente oito elevatórias. A do Leblon foi construída por Getúlio Vargas e a última reforma era de 1958." O coordenador da Sede Náutica do Vasco da Gama, Fábio Corrêa, diz que a água melhorou. "Ainda corre esgoto em alguns pontos, mas se falarem que não está melhor é mentira. O cheio é outro. Isso aqui melhorou bastante. Todo mundo comenta." Antes, ele conta, era comum remador pegar micose. A mudança atraiu aves e pássaros, diz Fábio. Victer prometeu remar na lagoa para provar que a água está limpa. "A lagoa está bem melhor do que muitas praias da zona sul. Mas não quero incentivar a pessoa a pegar uma sunga e ir para lá. É um lugar para a prática de esportes náuticos. Aliás, já estamos aptos para os Jogos de 2016 (que o Rio ainda disputa)." Segundo ele, o diretor jurídico da Cedae praticou wakeboard no fim de semana na lagoa, levou 40 tombos, "bebeu litros" e passa bem. "Se estiver praticando remo e o barco virar no meio da lagoa, pode mergulhar." A bióloga do Inea conta que o objetivo não é transformar a lagoa em local para banho. "Não gostamos muito de falar em balneabilidade porque parece incentivo a tomar banho, mas os sedimentos que estão no fundo podem oferecer riscos. Não vamos incentivar nunca a natação. A lagoa é para recreação e prática de esportes." MORTANDADE Houve mortandades consecutivas de 2000 a 2002, quando foram recolhidas mais de 300 toneladas de peixe da lagoa. Na ocasião, o então governador Anthony Garotinho culpou os peixes pelas mortes (ele argumentou que havia muitas espécies, e por isso teria faltado oxigênio). "A Cedae pode tirar cocô e despoluir, mas aumentar a sexualidade dos peixes, não sei", diz Victer, sobre a situação atual. Ele aposta numa parceria com o Grupo EBX para ampliar a limpeza das galerias de águas pluviais do entorno da lagoa. O serviço, orçado em R$ 500 mil, contará com um robô com equipamento de filmagem. O objetivo é identificar possíveis lançamentos clandestinos de esgoto. A prefeitura também assinou um termo de cooperação técnica para a dragagem da lagoa, que é vista com preocupação pelos pescadores, e para a instalação de uma comporta no canal do Jockey Clube.

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