Cai quadrilha que simulava seqüestros por telefone

De um presídio do interior do Rio de Janeiro, uma quadrilha usava celulares para assustar famílias, simulando seqüestros de familiares, e exigir dinheiro. Um dos bandidos se fazia passar por um bombeiro no atendimento a uma ocorrência de acidente e tirava informações sobre as pessoas da casa. Com esses dados, outro integrante da quadrilha voltava a ligar para a vítima dizendo que um familiar estava em seu poder e estava prestes matá-lo, exigindo que depositasse dinheiro em uma conta ou transferisse créditos para um celular.Nos últimos 4 meses, o bando fez mais de 1.500 vítimas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso.Numa operação encerrada nesta terça-feira, o esquema foi desmantelado com a identificação de 8 integrantes, a apreensão de celulares, carregadores, drogas e uma espécie de lista telefônica das vítimas. A "central telefônica" da quadrilha funcionava na Penitenciária Carlos Tinoco da Fonseca, em Campos de Goytacazes, a 257 km do Rio.Uma equipe do Grupo Anti-Seqüestro (GAS) de Sorocaba monitorou durante 4 meses, com autorização judicial, as ligações da quadrilha para chegar aos integrantes. Foram identificados e transferidos para um presídio da capital os presos André Luis Joaquim Gomes, Devison Marcos de Souza Pires, Dejair José Vieira, Manoel Costa Cravo, Edson Luis Reis Nunes, Marcelo Maciel da Silva, Nilton César Aldino e Manoel Messias da Silva.Segundo o titular do GAS de Sorocaba, Wilson Negrão, os bandidos preferiam tratar com mulheres, idosos e adolescentes. "Eles jogavam muito pesado, davam detalhes do suposto seqüestrado e apavoravam as vítimas, descrevendo supostas torturas."Segundo ele, o percentual de êxito era muito alto. "Tivemos casos de pessoas que depositaram até R$ 10 mil na conta passada pelos bandidos." Ele presume que as contas estavam em nome de "laranjas". Muitas pessoas que procuraram a polícia estavam tão assustadas que custavam a crer que tinham sido vítimas de um golpe.O delegado contou com o apoio dos órgãos policiais do Rio para fechar o cerco aos bandidos. O titular da Delegacia Anti-Seqüestro da capital fluminense, Fernando Moraes, deslocou uma equipe com seis policiais para as buscas no presídio, feitas com a colaboração da Secretaria de Administração Penitenciária.A penitenciária, com mais de 300 detentos, ocupa um prédio construído em 1888. "Enquanto entrávamos no presídio, nosso pessoal, em Sorocaba, continuava monitorando a conversa dos presos nos celulares." A conversação só cessou quando as equipes chegaram na cela 2 da ala. Três celulares e 3 carregadores foram encontrados sob os colchões, junto com 166 porções de maconha e 171 pedras de crack.Na agenda, além de números de telefones, havia dados das famílias, número de cartões e de contas bancárias. Segundo o delegado, os presos contaram como o esquema funcionava e disseram ainda que cobravam R$ 1,00 o minuto de outros detentos pelo uso do celular.

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