Cai secretário que pediu ''pau em corrupto''

Delegado Daniel Lorenz, que assumiu a Secretaria de Segurança do DF após crise do mensalão, deixa posto alegando ingerência

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2011 | 00h00

Apenas três meses após assumir a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal prometendo "baixar o pau nos corruptos", o delegado federal Daniel Lorenz deixou o cargo em meio a queixas sobre uma onda de sabotagens e ingerência política na sua gestão. Segundo auxiliares, saiu magoado com o governador Agnelo Queiroz (PT), que dele teria retirado a carta branca para despartidarizar a ação da polícia e reforçar o caráter técnico do combate aos elevados índices de corrupção da capital do País.

Por meio de nota, Queiroz lamentou a decisão de Lorenz, mas disse que "respeita os motivos pessoais do delegado" e que, embora surpreso, só lhe restou "aceitar o pedido de desligamento". O substituto ainda não foi escolhido. Vários nomes já chegaram à mesa do governador, entre os quais o do delegado federal Sandro Avelar, diretor do Sistema Penitenciário Federal do Ministério da Justiça. Mas a Polícia Civil faz lobby para uma solução doméstica. Um dos preferidos é o delegado Pedro Cardoso.

Nas bolsa de apostas surgiram até os nomes do general da reserva Alberto Cardoso, ex-ministro da Segurança Institucional do governo Fernando Henrique Cardoso, caso a opção seja por enquadrar a politizada polícia brasiliense, e o ex-deputado Sigmaringa Seixas, de perfil mais negociador e uma espécie de coringa do PT. Queiroz, porém, alega que não estava preparado para a mudança e fará a escolha com critério. Até lá responderá pela pasta o secretário adjunto, coronel da Polícia Militar do DF Luiz Renato Rodrigues.

Queiroz assumiu em janeiro uma máquina destroçada pelo escândalo de corrupção desmantelado pela Operação Caixa de Pandora, que levou à prisão e afastamento do governador José Roberto Arruda, cassação de vários parlamentares e indiciamento de mais de 30 pessoas.

Entre estes figuram os procuradores Leonardo Bandarra e Deborah Guerner, acusados de achaque a Arruda e de receber propina para encobrir denúncia contra os envolvidos no chamado mensalão do DEM.

O governador seduziu Lorenz, que já chefiara o setor de inteligência da PF, com a garantia de que ele teria liberdade de ação para fazer a reestruturação no modelo de atuação da polícia da capital do País, que passa por grave crise de credibilidade.

Na prática, acuado pela crise que tumultua seu início de governo, Queiroz cedeu às pressões das forças políticas locais, que promoveram uma onda de greves corporativas, boicotes e até chantagem de aliados que não se sentem contemplados no guarda-chuva do governo.

As reações mais fortes partiram da Polícia Civil, que promoveu uma greve de dez dias e ignorou até uma ordem judicial de volta ao trabalho.

O governador aceitou negociar diretamente com os dirigentes policiais, por cima da autoridade de Lorenz.

Em nota distribuída à imprensa, Agnelo Queiroz destacou "o eficiente trabalho" realizado pelo ex-secretário, "por seu profissionalismo e competência" à frente da pasta. A mudança, segundo a nota, não implica descontinuidade operacional da Segurança Pública do DF.

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