Caixa-preta danificada dificulta a ação de peritos

Peritos acham que conversa entre pilotos pode explicar o comportamento do avião em Congonhas

Bruno Tavares e Tânia Monteiro, Estadão

22 Julho 2007 | 21h47

Os peritos da Aeronáutica encarregados de desvendar as causas do maior acidente aéreo do País têm enfrentado dificuldades para acessar os dados da caixa-preta do Airbus A320. O forte impacto com o prédio da TAM Express e a exposição ao fogo danificaram bastante a estrutura metálica que envolve o cartão de memória – "cérebro" do equipamento. Segundo fontes militares ouvidas pelo Estadão, neste domingo, 22, antes de fazer a leitura será preciso desmontar por completo as caixas-pretas.   Veja também: Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054     "Numa situação normal, é possível conectar cabos aos equipamentos e fazer um download completo das informações", explica um oficial da Força Aérea Brasileira (FAB). "Mas, nesse caso, eles (os investigadores) terão de retirar o chip." Embora seja mais trabalhosa, diz ele, essa tarefa adicional não deve atrasar a conclusão dos trabalhos – prevista quarta-feira. Após a coleta dos dados, os peritos da FAB terão de selecionar quais dos mais de 100 parâmetros monitorados pelo Flight Data Recorder (gravador de dados) são importantes para elucidar o desastre.   Já o trabalho de degravação do Cockpit Voice Recorder (gravador de voz) deve se concentrar nos 5 minutos que antecederam à explosão da aeronave. Integrantes da comissão de investigação acreditam que parte das respostas sobre o comportamento do Airbus A320 na pista principal de Congonhas pode ser explicada pelas conversas mantidas entre os pilotos Kleyber Lima e Henrique Stefanini di Sacco.   A leitura do gravador de dados está sendo feita desde sexta-feira nos laboratórios do National Transportation Safety Board, em Washington, sob a supervisão de quatro oficiais do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e dois comandantes da TAM. O gravador de voz só chegou no sábado.   CPI nos EUA   Os deputados Marco Maia (PT-RS) e Efraim Filho (DEM-PB), integrantes da CPI do Apagão Aéreo, vão nesta segunda-feira, 23, ao Conselho Nacional de Segurança de Transportes dos EUA (NTSB, na sigla em inglês) para tentar acompanhar a extração de informações das caixas-pretas do Airbus da TAM. Os deputados querem garantir que as informações das caixas-pretas "cheguem ao Congresdo rapidamente e não se percam na burocracia".   "Acompanhamos as investigações do acidente da Gol, e naquela ocasião a degravação da caixa preta foi muito demorada e tortuosa", disse o deputado Marco Maia. "Viemos aqui para demonstrar o interesse do Congresso brasileiro na celeridade das investigações."   Os deputados negociam com a Aeronáutica sua participação nos trabalhos para extração de informações das caixas-pretas, a partir de hoje à tarde. Mas, conforme as regras da NTSB, apenas os representantes da Aeronáutica, da Airbus, TAM e do fabricante de turbinas estão autorizados a participar dos trabalhos.   O Gravador de Dados de Vôo, que registrou as últimas 53 horas de vôo do Airbus da TAM, começou a ser examinado na sexta-feira. O gravador desse avião registra 580 parâmetros, tais como altitude, ventos, velocidade. Após extraídos os dados, será feota uma comparação com o gráfico padrão desse tipo de vôo, para determinar anormalidades - ou seja, detectar se alguma coisa não funcionou.   Os técnicos do NTSB, acompanhados do Coronel Fernando Camargo, mais representantes da TAM e da Airbus, trabalharam na sexta e no sábado, mas não no domingo. Nesta segunda-feira, 23, começam a examinar o Gravador de Voz do Cockpit, a caixa-preta que só chegou no domingo a Washington.   A previsão inicial era de que os trabalhos de extração de dados - para posterior análise no Brasil - fossem concluídos na terça-feira. Mas com o atraso na chegada do gravador de voz, podem se estender até quinta-feira.   Os deputados vêm com uma carta do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, para tentar acompanhar os trabalhos de extração de dados. Mas não há garantia de que vão conseguir entrar.   (Colaborou Patrícia Campos Mello, do Estadão)

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