Uarlen Valério/O Tempo
Uarlen Valério/O Tempo

Caixa-preta de avião que caiu em Belo Horizonte é encontrada

Equipamento será enviado para análise em laboratório; expectativa é de que ele tenha registrado últimos minutos de contato com a torre

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

08 de junho de 2015 | 15h21

Atualizada às 17h55

BELO HORIZONTE - No final da manhã desta segunda-feira, 8, investigadores do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) III encontraram a caixa preta do avião que caiu sobre uma casa na região norte de Belo Horizonte no domingo, 7. O equipamento foi enviado para um laboratório em Brasília. 

A expectativa é de que a caixa-preta tenha registrado os últimos minutos do contato da aeronave com a torre de controle do Aeroporto da Pampulha, de onde o avião partiu. A queda aconteceu três minutos depois da decolagem. Os destroços da aeronave foram encaminhados para o aeroporto.

No início da investigação, além de informações que podem surgir das peças recolhidas no local do acidente, serão ouvidos ainda controladores de voo da torre do Aeroporto da Pampulha. Três pessoas morreram no acidente: opiloto Emerson Thomazini, o copiloto Carlos Eduardo Abreu e Gustavo de Toledo Guimarães, que viajava de carona. A aeronave viajaria para Setubinha, no Vale do Jequitinhonha, a 526 quilômetros de Belo Horizonte, onde o conglomerado Montesanto Tavares mantém uma fazenda.

Pela manhã, familiares das três vítimas estiveram no Instituto Médico Legal (IML) da capital. Os parentes foram informados de que não há data para liberação dos corpos. Uma série de exames terão de ser feitos, entre os quais, o de DNA. Os corpos foram carbonizados na queda do aparelho.

Moradores. Depois do susto de ver um avião caindo sobre a sua casa, Maria Geralda Estanislau, de 55 anos, se prepara para retomar a rotina. Ainda vai demorar um pouco. No desastre, o bimotor King Air destruiu quatro dos doze cômodos de sua residência, que fica na Rua São Sebastião, no bairro Minaslândia, a cerca de dez quilômetros do Aeroporto da Pampulha, de onde partiu o avião. O imóvel será reformado. "Casa da gente a gente não abandona", afirma Maria Geralda.

Junto do filho, Charles Douglas Estanislau, de 35 anos, e em meio a um forte cheiro de combustível queimado, a dona de casa passou todo o dia acompanhando a retirada dos destroços da aeronave da sua casa. Junto com o marido, o aposentado José Mafort Knupp, de 74 anos, Maria Geralda cuidava das galinhas que cria no quintal quando a aeronave caiu sobre a sua casa. "Escutei um barulho e olhei para o céu. Vi um avião subindo, subindo. Achei estranho. Ele só subia. Falei com meu marido e, minutos depois, aconteceu o desastre", conta.

O filho Charles, que não mora com o casal, jogava futebol em um campo que fica a 30 metros da casa da mãe. "Saí como um louco achando que havia acontecido alguma coisa com os dois", diz. Por cima do muro, viu o casal e se tranquilizou. As chamas, porém, impediram que os dois deixassem o imóvel, o que só aconteceu com a chegada dos bombeiros. Por enquanto, o casal está na casa de parentes. 

Representantes da seguradora do avião, que era operado pela Atlântica Exportação e Importação, do conglomerado Montesanto Tavares, garantiu aos proprietários do imóvel que arcarão com os custos da reforma. Ofereceu também estadia em um hotel durante a obra.

Ao longo da tarde desta segunda, a cada 50 minutos pelo menos dois aviões decolavam do Aeroporto da Pampulha, como era possível ver a partir das proximidades da casa atingida pela aeronave no domingo. A maior parte, aparelhos de pequeno porte como o King Air que caiu sobre a casa de Maria Geralda. O avião tinha capacidade para transportar 9 pessoas.


Tudo o que sabemos sobre:
Belo Horizonteacidente

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.