Caixa suspende lotérica que enganou apostadores no RS

Apostadores acertaram 'bolão', mas jogo não foi lançado; funcionários admitiram possibilidade de erro humano

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

22 de fevereiro de 2010 | 22h44

A agência lotérica Esquina da Sorte, em Novo Hamburgo, região metropolitana de Porto Alegre, teve suas atividades suspensas pela Caixa no final da tarde desta segunda-feira, 22, e não poderá voltar a prestar serviços bancários, recolher apostas ou vender bilhetes de jogos oficiais enquanto não apresentar sua defesa.

 

Um grupo de moradores de Novo Hamburgo acertou as seis dezenas da Mega Sena em um "bolão" oferecido pela agência, mas o jogo não foi lançado no sistema de controle da Caixa Econômica Federal, o que os impediu de receber o prêmio de R$ 53,3 milhões.

 

A modalidade "bolão" é montada e vendida pelas lotéricas com base apenas numa relação de confiança com seus clientes. O apostador fica com um comprovante oferecido pela casa, enquanto esta paga os jogos à Caixa e retém com o volante oficial, o único que dá direito à retirada do dinheiro.

 

No caso de Novo Hamburgo, foi oferecida a participação em 15 diferentes jogos a 40 pessoas, que pagaram R$ 11 cada uma para participar da associação informal. Uma das combinações continha as dezenas sorteadas no sábado. Como não recebeu a aposta, a Caixa entende que não deve o prêmio.

 

Se tivessem dividido o prêmio por 40, os apostadores de Novo Hamburgo receberiam cerca de R$ 1,3 milhão cada um. Pelo menos 13 deles registraram ocorrência na Polícia Civil e vão à Justiça tentar obter o pagamento e compensações pelo dano moral que sofreram. "A ação será contra a lotérica e também contra a Caixa, que responde solidariamente", adianta a advogada Josemari Peixoto. O delegado Clóvis Nei da Silva abriu inquérito para investigar o que ocorreu dentro da agência e se houve prática de estelionato.

 

Funcionários da casa admitem a possibilidade de um erro humano, mas descartam que alguém possa ter agido de má fé e refutam a desconfiança de alguns clientes que passaram a suspeitar que nenhuma aposta recolhida por "bolões" tenha sido feita. Levantam, como hipótese provável, a transcrição equivocada dos números ou para os comprovantes entregues aos clientes ou para a aposta efetivamente registrada na Caixa.

 

 

Em nota distribuída nesta segunda-feira, a Caixa destaca que "o comprovante emitido pelo terminal de apostas é o único documento que habilita o recebimento de prêmios" e promete que "a ocorrência será objeto de apuração". O texto também adverte que "caso se confirme a existência de irregularidade será aplicada a penalidade prevista nas normas internas, que podem ir de uma simples advertência até a revogação compulsória da permissão, de acordo com a gravidade do fato".

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