Caixas-pretas revelam erros de pilotos do Legacy, diz jornal

Transcrições dos diálogos entre controladores de vôo e os pilotos do jato Legacy que colidiu com um Boeing da Gol mostram uma sequência de erros e confusões que culminou com a morte de 154 pessoas em setembro do ano passado, afirma neste domingo o jornal Folha de S.Paulo. Com base em um relatório de quase 300 páginas que contêm as conversas dos pilotos do Legacy, os norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, e de integrantes das torres de controle de São José dos Campos (interior de São Paulo), Brasília e Manaus, o jornal afirma que houve dificuldades de comunicação. O Legacy voava a 37 mil pés, a mesma altitude do vôo 1907 da Gol, que seguia no sentido contrário. Recorrendo a trechos das conversas traduzidas do inglês para o português, a Folha afirma que, somente depois do choque das aeronaves, os pilotos do jato particular se perguntam se o equipamento do Legacy que aciona o sistema anticolisão estava ligado. "Cara, você está com o TCAS ligado?", pergunta um piloto. "É. O TCAS está desligado", responde o outro. No meio do vôo, um dos norte-americanos que pilotava o Legacy diz para o outro: "Eu só quero ter certeza de que estamos indo na direção certa." O documento, segundo a Folha, faz parte da investigação da Polícia Federal e é resultado de transcrições realizadas pela National Transportation Safety Board (NTSB), de Washington, sob supervisão do especialista em segurança de transporte Albert G. Reitan. O jornal afirma que os controladores de vôo de Manaus e Brasília não sabiam que os dois aviões estavam na mesma altitude, voando em sentidos opostos, e que demoraram pelo menos 50 minutos para ter certeza de que os jatos haviam colidido. Pela transcrição, quando o centro controlador de vôo de Brasília (Cindacta-1) chama o de Manaus para saber por que o vôo da Gol não estava em seus radares, a resposta foi: "Ué?! Que Gol 1907 é esse?". Procurada pela Reuters, a assessoria de imprensa do Comando da Aeronáutica não confirmou nem negou as informações divulgadas pela Folha. Um porta-voz, que preferiu não ser identificado, afirmou que "com certeza eles (os documentos) não saíram do processo de investigação da Aeronáutica". Ele afirmou ainda que "a publicação é prejudicial para o andamento da investigação, pois gera uma série de especulações e conclusões precipitadas que, por vezes, colocam pressão sobre as investigações". A estimativa das autoridades brasileiras é que as investigações estejam concluídas em setembro. O choque dos aviões foi o pior acidente aéreo do Brasil. O vôo da Gol fazia a rota Manaus-Rio de Janeiro, com escala em Brasília, e caiu em Mato Grosso após colidir com o Legacy.

Agencia Estado,

18 Fevereiro 2007 | 11h23

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