GABRIELA BILO/ESTADAO
GABRIELA BILO/ESTADAO

Calor embala folia de blocos pelas ruas de São Paulo e Rio

Neste domingo, desfilaram tradicionais grupos paulistanos, como o Acadêmicos do Baixo Augusta; carioca deixou praia para curtir pré-carnaval

O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2017 | 20h59

Os termômetros perto dos 35°C só ajudaram a animar o “esquenta” para o carnaval, que tomou as ruas de São Paulo e do Rio neste domingo, 19. Foliões recorreram a trajes de banho, armas de plástico carregadas de água e até a caminhões-pipa para aliviar o calor. Os guarda-chuvas eram acessórios para conseguir sombra. 

No Rio, os blocos a esvaziaram as praias. Em São Paulo, no dia em que desfilaram alguns dos grupos mais tradicionais, como Acadêmicos do Baixo Augusta e Confraria do Pasmado, a lotação erasentida desde o metrô. 

Ainda não há balanço de público da Prefeitura e da Polícia Militar (PM), mas a expectativa é de participação recorde no pré-carnaval paulistano em 2017. Mais de um milhão de pessoas circularam pela região de Pinheiros e Vila Madalena no fim de semana, segundo o prefeito regional, Paulo Mathias. 

Mesmo sem mar, a estudante Milena Paiva, de 18 anos, foi para a folia só de maiô em São Paulo. “Fiquei meio receosa de os caras virem pra cima. Mas até agora, ninguém veio”, contou ela, no fim da tarde, após seguir o bloco Gambiarra, em Pinheiros, na zona oeste, liderado pelo ator Tiago Abravanel. 

Irreverência. O calor não freou a criatividade nas fantasias. Kauê Momi, de 25 anos, e um amigo foram vestidos como a grávida de Taubaté, que em 2012 fingiu esperar quádruplos para receber doações. “Esse sol só ajuda”, disse Momi, com vestido e enchimento. 

“Chamamos mais gente para vir assim, mas disseram que era piada velha. Que nada! Todo mundo quis tirar foto”, contou Momi, que curtiu na manhã deste domingo o Monobloco, em frente ao Ibirapuera, na zona sul paulistana. Foliões elogiaram a organização no local. 

Já o publicitário Ewerton Oliveira, de 31 anos, e seis amigos se vestiram de lenhador para curtir o Acadêmicos do Baixo Augusta, que passou pela Consolação. “Cancelamos viagem para o Rio para brincar todo o carnaval em São Paulo”, contou. Além da atriz Alessandra Negrini, madrinha do bloco, apareceu até o vice-prefeito Bruno Covas (PSDB). 

Políticos - como o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB) - foram alvos de brincadeiras. O publicitário Daniel Nosé, de 27 anos, usou manta xadrez e chapéu mexicano para protestar contra o presidente americano, Donald Trump. “A fantasia é fácil. Cortei um lençol em casa e vim”, disse ele, que acompanhou o Escravos do Mauá, no Rio, onde também havia fantasias do empresário Eike Batista. Para refrescar foliões, o bloco levou um caminhão-pipa.

O bloco de Preta Gil foi o maior do pré-carnaval carioca, com 400 mil pessoas. Teve até provocação de Preta à irmã, Bela Gil. “Quem quer churrasco de melancia?”.

Pós-desfile. Na capital paulista, o Anhangabaú ficou lotado para ver a banda Nação Zumbi na noite deste domingo. Os megashows são uma estratégia da gestão Doria para acelerar a dispersão dos blocos. 

No início da noite, assim como no sábado, havia rastros de lixo em pontos onde passaram blocos, como o centro e o Largo da Batata. 

Às 23 horas, Doria varreu ruas perto da Faria Lima e admitiu “problemas” na organização do pré-carnaval. A expectativa, disse, era de 250 mil foliões e o público foi de cerca de 700 mil no sábado. 

“Não justifica. Temos de estar preparados para mais e não para menos.” Segundo ele, já foi dobrado o efetivo de varrição e cada esquina das vias onde passam blocos terá lixeira no próximo fim de semana. Para não repetir os nós na saída de veículos e pessoas, também aumentou o efetivo de agentes de trânsito para 560 – não informou o total de sábado./ ALEXANDRE HISAYASU, GIOVANA GIRARDI, CONSTANÇA REZENDE E VITOR HUGO BRANDALISE

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