Calouro fica ferido durante trote em Franca

O calouro universitário Thiago Rosa Caretta, de 21 anos, morador de Cristais Paulista, ficou ferido durante um trote ocorrido na noite de segunda-feira, em uma rua próxima à Universidade de Franca (Unifran), em Franca, na região de Ribeirão Preto. Caretta foi atingido no couro cabeludo, pescoço e ombros por um produto químico (pó preto) jogado por outra caloura, Bruna Barbosa Durães, de 18 anos, que também é de Cristais Paulista. Era o primeiro dia de aula de ambos, que cursam administração de empresas, mas em salas diferentes. Bruna prestou depoimento na tarde de terça, na Delegacia Seccional de Franca, e disse que um veterano, de nome Alisson, de São Sebastião do Paraíso (MG), teria levado o produto. Alisson vai depor amanhã à tarde. Thiago foi socorrido em um hospital e teve alta nesta tarde. Durante o trote, alunos veteranos na Unifran picharam quatro ônibus urbanos e tentaram virá-los, sem sucesso. Nas imediações, Caretta estava pintado e com a roupa rasgada. Segundo Bruna informou à polícia, Alisson chegou com um pacote plástico e jogou o produto sobre outros dois estudantes e sobre ela, esfregando-o em seu corpo. Como nada sentiu, Bruna jogou um pouco do mesmo produto sobre Thiago. Porém, logo em seguida, outra pessoa despejou uma lata de cerveja sobre o corpo do rapaz, provocando uma reação do produto químico. Mais tarde, a família de Thiago ligou para Bruna para saber que produto era aquele. Bruna então contatou Alisson, que informou que se tratava de um corante à base de permanganato de potássio, comprado em farmácia. Para o delegado seccional de Franca, Mauri de Camargo Segui, um químico da própria polícia informou que o produto em pó é difícil de ser encontrado e que o pó, sozinho, produz queimadura na pele, mas é potencializado em contato com o álcool. "Em princípio, Bruna agiu inocentemente", disse o delegado, que não descarta o indiciamento de Alisson por lesão corporal dolosa. Nesse caso, se condenado, o universitário pode pegar uma pena que varia de dois a oito anos de reclusão, se ocorrer deformidade da vítima, ou de um a cinco anos se não tiver deformidade. O pró-reitor da Unifran, Nilson Colmanetti, lamentou o episódio do trote (que é proibido dentro do câmpus) e disse que a instituição deu todo o apoio moral à família de Thiago Caretta. "Nossa obrigação é estar ao lado do aluno e da família", disse ele, informando que Thiago não sofrerá prejuízo acadêmico e que terá acompanhamento especial no retorno às aulas. Colmanetti informou ainda que o caso é de polícia, mas que a pró-reitoria vai apurar, com o departamento jurídico, se existe uma medida disciplinar a ser aplicada, passando o caso à reitoria. Ele não acredita que o fato irá arranhar a imagem da Unifran, que existe há 36 anos, tem 40 cursos de graduação, 50 de pós-graduação e cerca de 12 mil alunos matriculados.

Agencia Estado,

14 Fevereiro 2006 | 18h09

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.