Câmara adia votação de projeto para acabar com frotas

A Câmara dos Vereadores adiou mais uma vez a aprovação do projeto do Executivo para acabar com as frotas de táxis e conceder cerca de 4.200 alvarás aos motoristas. Nesta quarta-feira, o projeto volta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para votação. A CCJ vai marcar nova audiência pública para levar o projeto a plenário. ?É um retrocesso, porque o projeto já tinha passado pela comissão?, disse o vereador Carlos Gianazzi, suspenso do PT.O projeto passou nesta terça-feira sob avaliação do Congresso de Comissões e dos líderes dos partidos, por conta da pressão dos taxistas. Concentrados na frente da Câmara, eles queriam que o projeto fosse votado em caráter de urgência nesta terça. Cerca de 600 taxistas interditaram uma das pistas do Viaduto Jaceguai, na frente da Câmara, com os carros das frotas.?Vivemos num sistema de escravidão, e esse alvará representaria nossa alforria hoje?, disse um dos membros da comissão dos taxistas, Luis Carlos dos Santos. O projeto, de autoria da prefeita Marta Suplicy (PT), prevê o fim das 60 frotas de táxis e a concessão de alvarás a aproximadamente 4.200 motoristas.Os motoristas pretendem ficar na frente da Câmara até a aprovação do projeto. ?Vou ficar aqui quanto tempo for possível para sensibilizar os vereadores?, disse o taxista Sergio Eduardo Alves de Oliveira, de 35 anos, há seis no taxi.Oliveira disse que paga R$ 60,00 de ?diária? à frota. ?Se passa do meio-dia, o valor sobe para R$ 75,00. ?Isso trabalhando mais de 16 horas por dia. Só falta vir o chicote, porque escravos já somos?, reclama.O protesto na frente da Câmara começou por volta das 12h45. Cerca de 70 motoristas saíram da Praça Campo de Bagatelle, na zona norte da cidade, onde estavam desde as 10 horas, atravessando as avenidas Tiradentes, 23 de Maio, Paulista e Consolação, rumo à Câmara.Houve complicações no trânsito local, embora a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) tenha registrado trânsito normal durante o dia.Na frente da Câmara, outros taxistas foram chegando pouco a pouco. Os mais exaltados anotavam os números dos motoristas de frota que insistiam em trabalhar. Eles alegam que, além de pagar a diária, quem não cumpre o valor estipulado, entre R$ 60,00 e R$ 100,00, ainda paga multa de R$ 15,00 em média.

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